Os trabalhadores sem terra que estão na Fazenda Dois Córregos, em Querência do Norte (113 km de Paranavaí), e na Fazenda Almeria, em Jardim Olinda (135 km ao norte de Maringá), não pretendem deixar a área hoje, como ficou acertado em Curitiba no mês passado, durante a rodada de negociações entre o governador Jaime Lerner (PFL), a superintendente do Incra no Paraná Maria de Oliveira e representantes do MST. Conforme o acordo, o Incra deveria desapropriar terras para assentar até o dia 20 as 269 famílias acampadas em cinco fazendas produtivas com reintegração de posse decretada pela Justiça, no Norte, Noroeste e centro do Paraná.
As fazendas Dois Córregos e Almeria estão entre as cinco propriedades produtivas com reintegração de posse. No dia 23 do mês passado, Maria de Oliveira afirmou à Folha que as duas áreas seriam desocupadas até hoje. Ela não adiantou na época quais áreas seriam desapropriadas para assentar as 112 famílias que estão nas duas fazendas.
As outras três propriedades seriam desocupadas até o dia 20 deste mês. O cronograma de desocupação das áreas produtivas invadidas foi feito pelo Incra durante as negociações com os sem-terra que participaram da caminhada de Querência do Norte a Curitiba.
De acordo com Antonio das Neves, um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região de Querência do Norte, as famílias não vão deixar as fazendas porque o Incra não indicou outras áreas. ‘‘Queremos cumprir o acordo, mas só que para isso precisamos que o Incra indique quais as áreas que as famílias podem ocupar’’, disse. Segundo ele, as famílias não vão deixar as propriedades para montar acampamentos em beira de estradas.
O presidente da regional de Paranavaí da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet, disse ontem que vai procurar o posto do Incra em Paranavaí para reivindicar a entrega da fazenda. Ele é um dos proprietários da Dois Córregos. ‘‘Meu tio também tem parte na fazenda e está vindo de Londrina para assumirmos novamente a área’’, afirmou. Prochet não demonstrou estar confiante na desocupação da propriedade e adiantou que até ontem não recebeu nenhum comunicado sobre a retirada das famílias de sem terra. A Folha não conseguiu localizar ontem a superintendente do Incra.

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