Domingo, 3 horas da tarde. Quem passa pela rua Mar Del Plata, na Vila Brasil (região central) se impressiona com a quantidade de carros estacionados em frente a Associação Comunitária dos Idosos de Londrina. A resposta surge com o som alto que ecoa de dentro do salão. O cartaz na porta anuncia: mulher paga R$ 2, homem R$ 3. Mas não é a entrada baratinha e o som alto que atraem mais de 600 pessoas ao Bailão da Terceira Idade. Elas descobriram que a dança pode ser a atividade mais prazerosa e saudável para quem já assumiu as rugas. ''Frequento o bailão há 17 anos e vi minha vida mudar completamente. Hoje sou muito mais vaidosa e o que é melhor, não tenho medo de envelhecer, pois mesmo sabendo que a idade avança, percebo que meu espírito rejuvenesce'', revela Salete Belucco, 66 anos.
Fundada há 20 anos em um terreno doado pela prefeitura, a Associação tem 400 membros, que pagam mensalidade e participam de atividades sociais, como viagens, festas e bailes.
''Eu sou a prova de que a diversão e a dança são os melhores remédios contra qualquer dor. Tive uma doença grave, mas assim que comecei a trabalhar aqui, me sinto até mais jovem'', conta Mário Batista Soares, 81 anos, presidente da Associação.
E foi pensando justamente na saúde da filha Luciete, 34 anos, que Martins Dionísio, 73, resolveu levá-la aos bailes todos os domingos. ''Ela é portadora de necessidades especiais e já no primeiro dia, percebi uma grande melhora em seu comportamento'', afirma ele, que defende a idéia de que o baile favorece não só o pessoal da terceira idade.
Segundo Luciana Ferreira Alvarez, psicóloga da Secretaria Municipal do Idoso, o lazer é extremamente importante em qualquer idade, mas para o idoso ele é ainda mais significativo. ''Não há como impedir o envelhecimento, porém é possível manter a vivacidade, através do lazer, pois ela favorece a saúde mental. Além de interagir com outras pessoas, os bailes também propiciam uma melhora no quadro de saúde e estabelecem vínculos de amizades e afetivos'', diz.
Prova disso é a história de Luzia Nogueira, 50 anos, e Arivaldo Dias Santiago, 56, que se destacam entre os casais presentes no bailão. Eles namoraram na adolêscência, mas ficaram separados por mais de 30 anos. ''Ele foi transferido para Umuarama e perdemos o contato. Nesse tempo, me casei duas vezes e acabei me separando. Um dia vim para o baile e o reencontrei. Até parece que estava me esperando'', conta Luzia, que confessa estar vivendo um conto de fadas, na melhor fase de sua vida.
A estimativa da Secretaria Municipal do Idoso é de que em Londrina existem cerca de 50 mil pessoas acima de 60 anos.

Serviço:
O bailão da terceira idade acontece todas as quintas, sábados e domingos, às 15, na rua Mar Del Plata, 41. Excepcionalmente nesta semana não haverá baile. Informações: 3324-5697.

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