Prazer (e perigo) à venda
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sábado, 12 de agosto de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Garantia de prazer barato, à venda no camelódromo ou bancas de revistas de Londrina. Engana-se quem pensa que se trata de revistas ou filmes pornográficos. É um medicamento para impotência chamado Pramil , proibido no País e fabricado no Paraguai com o mesmo composto químico do Viagra (sildenafil 50mg). ''A galera quer curtir na balada e toma com uísque. Dizem que é bom viu? Eu nunca tomei. Quem tomou conta que pode sair com uma mulher e ficar a noite toda que não tem perigo de perder a ereção'', revelou um jovem que afirma ter ganhado uma cartela e vendido alguns comprimidos para amigos.
O principal atrativo do medicamento além do efeito, é claro é o preço. Enquanto um comprimido de Viagra custa cerca de R$ 20,00, o de Pramil custa no máximo R$ 5,00, podendo ser comprado direto no Paraguai por R$ 1,00. ''Este medicamento não é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas, apesar das contra-indicações, cerca de 30% dos pacientes atestam que usam'', destaca o médico urologista, Celso Fernandes Júnior, que ressalta que não existem dados científicos sobre os efeitos das pílulas que são vendidas como genéricas do Viagra.
Um jovem vendedor, que traz o medicamento do Paraguai sob encomenda, conta que já chegou a ''importar'' 30 cartelas por mês. ''Agora caiu um pouco. Não é mais tão difícil encontrar em Londrina'', confirma o que a reportagem da Folha já havia constatado circulando pelo Centro. Difícil na verdade foi encontrar quem tomou e assume o feito. ''Eu conheço quem tomou, mas nunca tomei não'', entoaram cerca de cinco jovens, entre 17 e 25 anos, procurados pela reportagem.
Mas se ao vivo ninguém assume, on-line os relatos são liberados. Diversas páginas da internet trazem ofertas de compra e venda. Existem até fóruns de discussão onde se negocia a compra e se esclarecem dúvidas sobre os efeitos. Nos consultórios médicos essa realidade também aparece. ''Um jovem de cerca de 20 anos pagou uma consulta só para perguntar se poderia tomar esses remédios para ereção. Disse que ia sair com umas meninas e não queria ter qualquer problema'', conta Fernandes Jr.
Outro médico urologista, Silvio Henrique Maia de Almeida, também coleciona casos de jovens à procura das pílulas contra impotência. ''A maioria vem com queixas de ejaculação precoce e alguns poucos casos de perda de ereção no ato sexual. Só que todos têm ereções normais. Acordam de madrugada, no estágio mais pesado do sono, com o pênis ereto. Prova de que o problema é emocional'', relata.
Mas os jovens parecem mesmo querer diversão, mesmo com as contra-indicações médicas. ''O cara sabe que ele não tem problema físico. Ele só quer ter mais relações em uma noite. Se consegue ter duas, quer ter dez'', afirma um dos vendedores. O outro segreda: ''Um rapaz que tomou me disse que só sentiu um calor e o rosto ficou vermelho. No resto garantiu que o remedinho faz efeito mesmo! Contou que ficou tendo ereções a qualquer estímulo durante uns três dias''.
Mas Celso Fernandes Júnior aponta limites para a brincadeira: ''Se o jovem ficar nervoso não vai fazer efeito algum. Estes são medicamentos facilitadores. Eles não garantem em 100% a ereção''.
Polícia Federal - Por se tratar de um medicamento não autorizado pela Anvisa, o Pramil tem venda ilegal no Brasil. Segundo informações da Polícia Federal em Londrina, em 2002 e 2003 foram realizadas apreensões no camelódromo. Apesar disso, o medicamento continua sendo vendido na clandestinidade. ''Neste camelô o senhor encontra de tudo, moço. Nem pode imaginar'', revelou de maneira misteriosa uma vendedora. A reportagem tentou comprar as pílulas, mas não conseguiu. Vários vendedores reconheceram a venda, mas não revelaram o preço, nem em qual banca o Pramil poderia ser adquirido.


