Arquivo pessoalO vôo livre é um dos esportes considerados de maior risco, mas os praticantes não abrem mão do perigo porque procuram a emoção de enxergar as coisas por outro ânguloA preferência pela prática de esportes radicais pode esconder mais razões do que o simples gosto pela aventura. Atraindo cada vez mais adolescentes, a ousadia de desafiar a resistência física e a lei da gravidade já vem sendo interpretada como uma maneira de conquistar não apenas um prazer físico, mas também uma maior aceitação social. ‘‘Muitas pessoas decidem se dedicar aos esportes radicais apenas para criar um diferencial em relação aos outros indivíduos’’, diz a psicóloga Paula Cunha Gomide.
Juntamente com a busca pela elevação da auto-estima, os especialistas afirmam que o aumento do estresse entre os jovens também tem feito crescer a procura pela prática de esportes menos convencionais. Neste caso, as altas doses de adrenalina produzidas pelo organismo durante a aventura funcionam como um fator de equilíbrio do corpo. ‘‘Vivendo sempre sob tensão, os jovens escolhem atividades arriscadas para canalizar o estresse e conseguir relaxar por alguns momentos’’, afirma a psicóloga.

Arquivo pessoalRanking dos dez esportes mais perigosos não inclui paraquedismo, que segue regras internacionais de segurança que obrigam, por exemplo, ao salto com dois pára-quedas - caso um não funcionePara os médicos, no entanto, os atletas radicais que insistem em não reconhecer os limites da sua atividade podem ser pessoas ‘‘viciadas’’ no prazer provocado pela adrenalina. Quando isto acontece, os cuidados com a segurança tendem a diminuir, fazendo o número de acidentes aumentar proporcionalmente. ‘‘A busca pelo prazer imediato é o maior sinal de inconsequência de alguns atletas’’, diz o especialista em Medicina Esportiva Lúcio Ernlund.
O médico afirma que o excesso de confiança faz com que os esportistas muitas vezes deixem de se preocupar com sua resistência física. ‘‘Problemas de alongamento muscular ou a capacidade pulmonar reduzida podem ser decisivos em casos de emergência’’, diz o médico. (C.P.)

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