Quem pratica o hobby, não poupa argumentos para defender os games eletrônicos. O hábito de jogar no videogame ou no computador tem, na opinião dos praticantes, vantagens como o desenvolvimento do raciocínio lógico e a coordenação motora. ''Como a maioria dos jogos é em inglês, também é possível praticar o idioma'', afirma o dentista Tiago Veras Fernandes.
A diversão também pode ser fonte de conhecimentos. Um jogo que conta a história dos últimos anos da Segunda Guerra Mundial é o preferido de João Ferreira Júnior. ''O jogo tem legendas em português e então dá até para aprender um pouco de história'', comenta. Ele acrescentou que a casa tem clientela formadas e que, durante as noites, os profissionais dominam o espaço.
Em São Paulo, toda quarta-feira à noite, a disputa é acirrada. As partidas se prolongam por mais de quatro horas. Nem a transmissão ao vivo dos campeonatos de futebol pela televisão arrefece o ânimo dessa geração nascida sob o signo dos jogos eletrônicos. Pilotar um console de jogo, dizem eles, é desestressante para o ritmo de vida de um executivo.
Martino Bagini, de 33 anos e diretor-geral da Realmedia Latin America, é um desses aficionados em videogames que trocam o futebol pelo hábito da infância. ''No game você tem o controle da situação'', diz ele. ''O futebol é uma atividade que você assiste passivo.'' Toda quarta-feira ele joga, no conforto de casa, com um grupo que se espalha pelo mundo: um consultor de negócios na Europa, um sócio de empresa de relações públicas nos Estados Unidos e vários amigos.
A chegada da geração Atari - um dos primeiros aparelhos para jogos eletrônicos - ao cargos de comando estimula o crescimento de um mercado que, embora pareça pequeno no Brasil (apenas 0,2% do mercado mundial), traça forte curva ascendente lá fora. Nos EUA, o principal mercado dos games, a maioria dos adeptos (47,6%) tem entre 18 e 49 anos. Em termos globais, as projeções estimam que o mercado de videogames movimentará US$ 47 bilhões em 2009. O último dado disponível, relativo a 2006, dá conta de US$ 33 bilhões movimentados em equipamentos, novos jogos e assinatura de serviços digitais.
A demanda por novos títulos é capaz de causar longas filas de espera para a compra de novas versões, caso do Grand Theft Auto IV, no mês passado. Foram 6 milhões de unidades do jogo em todo o mundo apenas na primeira semana, faturando US$ 500 milhões. Além do jogadores, há a geração dos milionários nesse negócio. O presidente do conselho da Nintendo, Hiroshi Yamauchi, tornou-se o homem mais rico do Japão, segundo ranking da revista ''Forbes''. (F.R.F., com Agência Estado)

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