Prática esportiva para alunos especiais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
João Paulo não parava de correr e, assim que cruzou com o fotógrafo, resolveu ''roubar'' a câmera e saiu clicando todo mundo. Sempre atrás dele, Thalita também correu por toda a quadra do Centro de Educação Física e Esportes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na manhã de ontem e não resistiu: cutucou a professora, dizendo que queria jogar futebol.
João Paulo de Oliveira Rodrigues, 7 anos, é portador de Síndrome de Down. Thalita Marques Ferreira, 7, é hiperativa e sofre de déficit de atenção e transtorno global. Eles nunca se viram antes, mas descobriram que serão colegas nas aulas de educação física ofertadas pela Secretaria de Educação de Londrina, em parceria com a UEL, por meio do projeto Segundo Tempo, do governo federal. Lançado ontem, durante uma reunião com pais de alunos de escolas municipais, o programa atenderá uma centena de estudantes com necessidades especiais, com idade entre 6 e 12 anos.
Trata-se da prática esportiva de diversas modalidades, realizadas no contraturno escolar, adaptadas a cada tipo de deficiência. ''Com os recursos do governo federal serão distribuídos uniformes e lanche para todos os participantes'', comentou a assessora pedagógica de Educação Física da Secretaria Municipal de Educação, Dilza Maria Razente.
Conforme a professora Rosângela Marques Busto, coordenadora geral do projeto, as aulas acontecerão três vezes por semana. Cada aluno será iniciado em duas modalidades coletivas e uma individual. ''Só agora o esporte paraolímpico começou a ter projeção, então resolvemos mostrar à população o potencial destas crianças, proporcionando um esporte adequado a elas'', justificou Rosângela, explicando que o esporte fará tão bem aos alunos especiais ''como para qualquer outra criança''. Para a professora, superproteger não ajuda. ''É preciso que os pais deixem a criança atingir seu próprio limite sozinha.''
''A principal vantagem da prática esportiva para os portadores de deficiência é a melhora da autoestima, além disso, a criança se sente mais competente a desenvolver outras atividades rotineiras'', avaliou a coordenadora, ressaltando que todos os participantes terão acompanhamento educacional e irão praticar atividade com a ajuda de profissionais preparados para lidar com as diferentes deficiências. ''É uma maneira de contribuir também para a formação dos profissionais de Educação Física.''
A dona de casa Lucia de Oliveira Rodrigues, mãe do João Paulo, ficou sabendo do projeto na escola municipal que o filho passou a frequentar este ano. Nos últimos seis anos, ele foi aluno do Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece) e apesar de ter aulas de educação física, sempre buscou novas experiências esportivas. ''Ele gosta de todo tipo de esporte e assim que chegou na UEL ficou contente em ver a quadra.''
Mãe de Thalita, Patrícia Marques Ferreira, teve de deixar o emprego para cuidar da filha hiperativa. E como toda mãe de criança especial, estava em busca de uma atividade física para a menina, mas esbarrou nas dificuldades. ''Ela não faz nenhum tipo de esporte, mas precisa, porque está acima do peso'', declarou. ''Praticar esporte será importante porque ela vai aprender a ter limites. Mesmo compreendendo as regras, ela ainda não aceita nãos'', assinalou Patrícia, citando que a pequena sempre fala que gostaria de nadar e ser bailarina.


