Prateleiras cheias de raridades
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
As inúmeras salas e prateleiras da Biblioteca Pública Professor Pedro Viriato Parigot de Souza, localizada no Centro de Londrina, guardam raridades. A segunda edição do clássico ''Caçadas de Pedrinho'', de Monteiro Lobato, datado de 1947, e que atualmente protagoniza polêmica envolvendo o Conselho Nacional de Educação, que recomendou sua não distribuição nas escolas por suposto conteúdo racista, é um dos exemplos das preciosidades ocultas entre o acervo de pelo menos 75 mil livros da instituição.
A obra mais antiga, um catecismo de 1710, escrito em francês, encanta os apreciadores de antiguidades. Na coleção de periódicos históricos, revistas editadas na região na década de 1940, como ''A Pioneira'' e ''Revista do Café e Açúcar'', retratam os costumes dos primeiros habitantes do Norte do Paraná. Coleções de gibis das décadas de 1940 e 1950 são outras atrações. A Biblioteca preserva, também, todas as edições publicadas da Folha de Londrina desde 1952.
O farto material, que soma duas toneladas entre revistas, gibis e aproximadamente mil livros, não está disponível para o público. Um projeto em trâmite no Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), entretanto, deve democratizar o acesso. O objetivo é higienizar e restaurar parte do acervo, para posterior microfilmagem e digitalização.
O diretor de bibliotecas do Município, Rovilson da Silva, explicou que, antes dessa fase, está prevista a informatização de todo o acervo. ''Hoje, as consultas são manuais. Com o catálogo eletrônico, será possível acessar o acervo on-line'', explicou. A compra do software está em fase de licitação. O trabalho de inserção dos mais de cem mil exemplares das bibliotecas do município deve levar de dois a três anos.
No acervo público, liberado para consultas e empréstimos, também é possível encontrar obras difíceis de se obter em sebos e livrarias. O estudante Rafael Candotti recorre à biblioteca quando não encontra crônicas e literatura francesa nas lojas que costuma frequentar.
A reportagem o encontrou entre as prateleiras em busca da obra ''Danuza todo dia'', de Danuza Leão. ''Procurei em vários lugares e não achei. Aqui na biblioteca tem'', comemorou ele, que elegeu o prédio da instituição como um dos lugares preferidos em Londrina.
Artur Reis, estudante do Ensino Médio, não se contenta com os livros de Ciências e Física do colégio e, quando pode, percorre os corredores em busca de títulos que não encontra na escola. ''Sempre acho coisas interessantes. Meu objetivo é estudar e também satisfazer a curiosidade.''
Estudante de Pedagogia, Meire Aparecida Augusto fazia uma pesquisa sobre música e se deparou com livros que não tinha encontrado nas instituições de ensino superior. ''Me identifiquei com as obras que encontrei.''
De acordo com Rovilson Silva, as obras de literatura são as mais procuradas. Best sellers e séries como Harry Potter e Crepúsculo são sempre muito solicitados, mas autores clássicos como Machado de Assis, Vitor Hugo e Dante Alighieri também figuram entre os mais lidos.


