Pramil é facilmente encontrado nas ruas
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quarta-feira, 28 de maio de 2008
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
Comprar Pramil, o ''Viagra paraguaio'', é no mínimo uma situação desconfortante. Imagine uma moçoila, com seus 20 aninhos, vendo um sujeito como eu, com 49 anos, fazendo a seguinte pergunta: ''A senhorita tem Pramil?'' (pergunta feita em tom jocoso, lógico, para quebrar o clima).
Comprar comprimidos nas ruas, no Camelódromo, nas bancas de revistas, a pronta entrega é fácil em Londrina - e não deve ser difícil em qualquer parte do Paraná ou deste país caliente. Esta facilidade leva a outra constatação: o medo de quem comercializa o ''prazer paraguaio'' está estampado na hora da compra, a tensão fica explícita no momento de passar o tal comprimido e pegar o dinheiro do cliente.
A moça que me atendia numa lojinha do Camelódromo da Rua Mato Grosso negou, num primeiro momento, que vendesse o produto em sua banca. A banca, aliás, não tinha nada a ver com produtos farmacêuticos, ou produtos eróticos; vendia CDs e DVDs piratas. Insisti e ela pediu que eu esperasse. Saindo pelo corredor, minutos depois, retornou, com a cartela de Pramil, contendo 20 comprimidos, trazida por outra jovem, aparentando pouco mais de 25 anos.
''Só vendo a cartela'', disse uma das moças, pedindo R$ 50,00. Tentei regatear, porém não cederam. Quando estendi a nota de R$ 50, a vendedora colocou a cartela atrás do televisor, que fica sobre o balcão e disse: ''Pode pegar''. Pedi que ela entregasse na minha mão, mas ela desconversou e insistiu que pegasse o produto. Na certa, querendo evitar uma constatação de crime.
Saindo do local, fui interpelado por um homem, com seus 30 anos, que se identificou como Silva: ''Por que o senhor não me procurou? Vendo um comprimido de Pramil por R$ 5 e dois por R$ 8''. Ele contou que vende o produto em escritórios, bancos e lojas na Região Central. ''Tenho cliente que entrego todo dia. Véio (sic) e novo compra'', explicou, dando risada.
Ainda na Região Central, circulando por ruas e avenidas, é fácil encontrar o ''Viagra paraguaio'' em bancas de jornal, farmácias, lojas e entre ''gerentes'' de bancas do jogo do bicho. A busca pelo prazer, numa simples caminhada pelo Centro de Londrina, está em todo lugar, ainda mais quando a masculinidade está em jogo.


