Desequilíbrio ambiental, cidades cada vez mais populosas, falta de cuidados adequados com a higiene e combate pouco eficiente. Esta combinação de fatores tem resultado em um perigoso incômodo: o aumento das chamadas pragas urbanas, como ratos, formigas e baratas. Combatê-los exige um mínimo conhecimento de seus hábitos e das 'armas' que a pesquisa já desenvolveu para isso.
É no inverno, por exemplo, que os ratos mais aparecem. Segundo a engenheira agrônoma Maria Augusta Gambarini Spagnolo, isso acontece porque a oferta de alimentos é menor que no verão, e eles saem de seus esconderijos para lutar pela sobrevivência. Tão perigosos quanto espertos, eles não se deixam vencer pelos antigos e ainda muito usados raticidas agudos, como arsênico, estricnina, monofluoroacetato de sódio (1080), 'chumbinho' (Carbofuran) e 'mão branca'. São venenos vendidos ilegalmente no mercado que, embora capazes de matar rapidamente os animais contaminados, não agem sobre toda a colônia.
''Os ratos estão organizados em dominantes e dominados. Estes últimos são os primeiros que experimentam os alimentos ofertados. Se depois de uns dois ou três dias nada acontecer a eles, o resto da colônia também passa a se alimentar. Por isso estes produtos que matam imediatamente nunca exterminam totalmente todos os ratos presentes'', explica Maria Augusta. Segundo a agrônoma, quando um rato aparece em determinado ambiente, ele nunca está sozinho. ''Há no mínimo outros cinco'', diz.
O engenheiro agrônomo Marco Aurélio Lopes, que trabalha com produtos específicos para o combate destas pragas, informa que a maioria dos raticidas à venda atualmente são anti-coagulantes granulados (pellets), em pó ou em blocos parafinados. Lopes explica que como causam morte lenta a partir do 3º ou 4º dia de ingestão os ratos dominantes não desconfiam e toda a colônia se alimenta do raticida. Além disso, em caso de ingestão humana, possuem antídotos.
Para evitar os roedores, que podem transmitir várias doenças entre elas a leptospirose e o tifo recomenda-se a eliminação do acesso aos alimentos e de possíveis abrigos e passagens. Diminuir a disponibilidade de água também ajuda, já que os ratos dependem de bastante água para sobreviver e são ótimos nadadores.
No caso das baratas, é preciso cuidado especial com locais que oferecem as condições prediletas do inseto: altas temperaturas; alto teor de umidade; pouca ventilação e pouca luminosidade. A espécie mais comum nestes locais é a chamada ''barata alemanzinha'' (Blattella germânica), encontrada com frequência em cozinhas, despensas, armários de alimentos, fogões, fornos, estufas, frestas de paredes e azulejos, equipamentos elétricos e eletrônicos, caixas de energia elétrica e divisórias.
Os agrônomos também recomendam cuidado especial com ''armadilhas'' como caixas de papelão, vasos com plantas e até frutas, que podem sair de supermercados e quitandas contaminadas por ovos do inseto. ''Muitas vezes as pessoas contaminam suas casas sem saber'', observa Maria Augusta. O controle da espécie é feito com inseticida na forma de gel atrativo aplicado nas áreas internas, diretamente nos ninhos. Já o controle da barata de esgoto (Periplaneta americana), é feito também nas caixas de gordura, ralos e lixeiras.
Uma praga urbana menos repugnante mas nem por isso menos perigosa são as formigas. Nas cidades, causam problema tanto em residências e comércio como nos hospitais. ''Estima-se que elas sejam responsáveis por mais de 20% dos casos de infecção hospitalar'', diz o engenheiro agrônomo, lembrando que apesar da aparência inofensiva, elas são capazes de transportar microorganismos patogênicos (vírus, bactérias e fungos). Lopes diz ainda que no Brasil existem mais de 2 mil espécies, sendo que de 20 a 30 são consideradas pragas.
Ao contrário das cortadeiras, as formigas urbanas têm várias rainhas e estão organizadas em diversas colônias. ''Por isso o controle é mais difícil. Enquanto todas as colônias não forem eliminadas, a infestação persiste.'' Atualmente o controle também é feito com alguns tipos de gel atrativo, aplicados diretamente em esconderijos como frestas de azulejos, batentes de portas, bancadas de cozinha e banheiro e atrás de armários.

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