Praczyk diz que abre mão da imunidade
Luciana Pombo
De Curitiba
O deputado estadual Edson Praczyk (PL), Pastor da Igreja Universal, disse ontem, na primeira entrevista coletiva dada desde a divulgação pela imprensa das denúncias de que ele teria adotado ilegalmente um casal de gêmeos, que poderá abrir mão da imunidade parlamentar para ser julgado pela Justiça. Eu faço questão de ser julgado. Por que eu deveria temer?, questionou.
Praczyk foi interrogado ontem, na Assembléia Legislativa, pelo delegado do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Herbert. O depoimento durou cerca de duas horas. Durante o interrogatório, o pastor voltou a afirmar que decidiu adotar as crianças porque temia que elas pudessem morrer. Ele negou que tivesse oferecido cestas básicas ou materiais de construção aos pais biológicos dos gêmeos, a dona de casa Marisa de Souza Taborda de Maia e o operário Natálio Firszt.
O depoimento do deputado, por orientação do advogado criminalista René Dotti, que está acompanhando o caso, foi distribuído à imprensa. Não vejo nesse depoimento qualquer fato hostil ou antagônico. Acho que ficou claro que o propósito dele foi generoso, no sentido de salvar as crianças que tinham sérios problemas de saúde, argumentou o advogado. Ele aposta na tese de que a Justiça, caso a Assembléia retire a imunidade parlamentar de Praczyk, acate o artigo 242, parágrafo único do Código Penal, que diz que quando a nobreza do caso for reconhecida o juiz poderá deixar de aplicar pena. Se não houve intento de lucro e é comprovada a natureza nobre da adoção, pode-se conceder o perdão judicial, afirmou Dotti.





