Muitos problemas relacionados aos espaços públicos de Londrina são frequentemente abordados pela FOLHA. Há poucos dias, o abandono das praças na Área Central da cidade, devido à falta de manutenção e limpeza, foi apontado como alvo de reclamações de moradores e comerciantes. Já as praças localizadas em bairros próximos ao Centro, que também deveriam ser espaços de convívio e lazer para os moradores, têm provocado medo e insegurança pelo fato de terem se tornado abrigos de moradores de rua.
Na Vila Nova, a praça Nossa Senhora Aparecida, localizada em frente ao Santuário, se transformou em um mocó, com direito a um fogão improvisado e um sofá. ''É dia e noite. Eles ficam em grupos, cozinham, dormem e deixam lixo na praça. Desse jeito, não tem como aproveitar o espaço'', reclama Agenir Bortoluci, moradora do bairro há 69 anos.
Segundo a dona de casa Laura Freitas, que mora em frente ao local, a pouca iluminação e a presença de usuários de drogas são outros dois fatores que aumentam a insegurança. ''Não tem Guarda Municipal por aqui. Acho um absurdo. Esse lugar deveria ser bem cuidado'', observa.
No Jardim Shangri-lá A (Zona Oeste), a praça Dom Pedro I, que fica às margens da Avenida Tiradentes, também é alvo de muitas reclamações. O local já teve um módulo policial há alguns anos, mas agora está abandonado. De acordo com o morador e comerciante em frente ao local, José Ricardo da Silva, há tempos os a praça não é frequentada por famílias.
''Ninguém vem aqui, só os moradores de rua. Já chamamos a Guarda Municipal e a Polícia Militar, mas não adianta porque eles acabam voltando. Nós temos receio porque eles perambulam pedindo dinheiro, além de usar a praça como casa. Eles dormem, comem e fazem sujeira'', afirma.
Em outro bairro da Zona Oeste, o Jardim Tókio, uma praça localizada na Rua Achiro Kawasaki, conhecida como ''Praça das Mangueiras'', também tem causado insegurança entre os moradores. ''Ela é mal frequentada, principalmente à noite. É lógico que a gente vai ter receio de ficar na rua'', diz a moradora Edna Oliveira.
Segundo Décio Zulian, diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), responsável pela limpeza e capina das praças públicas, não há previsão de ordem de serviço para as praças localizadas em bairros. ''Pela situação financeira do município não há como atender toda a cidade no momento. Portanto, a prioridade é o Quadrilátero Central'', declara.

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