Marta Ortega
Reportagem Local
A iniciativa de empresários em parceria com a Prefeitura de Apucarana tem deixado praças públicas, parques, jardins e canteiros mais bonitos na cidade. A manutenção feita pelas empresas locais faz parte de um programa da administração municipal. Seis praças já foram ‘‘adotadas’’ por empresários. Todos têm o direito de fazer publicidade no local.
  As parcerias são firmadas com empresas, clubes de recreação, culturais, esportivos ou de serviços, associações de classe, sindicatos, associações de moradores. O objetivo é a implantação, conservação, recuperação e manutenção dos espaços verdes, parques, jardins, praças públicas, rotatórias e canteiros centrais de avenidas, sem custo para o município.
  O projeto permite que os empresários façam publicidade no local ou mesmo fora dele, em dimensões e materiais compatíveis com o projeto paisagístico. ‘‘A intenção é fazer com que as pessoas se envolvam com a cidade e participem dos cuidados com esses locais’’, informou o secretário Municipal do Meio Ambiente e Turismo, João Batista Beltrame.
  O projeto segue uma determinação paisagística, que inclui, principalmente, o plantio de flores (beijinhos) e plantas forrageiras, além do calçamento e manutenção do local. ‘‘A prefeitura acaba colaborando com a mão-de-obra’’. O secretário afirma que, de outra forma, a manutenção das praças seria mais difícil. ‘‘Esbarraríamos na dotação orçamentária, na licitação de serviço, que geralmente é demorada‘‘.
  A cidade tem cerca de 40 praças e canteiros que poderão receber os cuidados da população. A economia gerada pela parceria não foi computada pela prefeitura. ‘‘Nosso ganho maior é a cidadania. As pessoas, as empresas estarão cuidando de uma coisa que pertence a elas.’’
Exigências
  Em Londrina a mesma iniciativa começou a ser aplicada na década de 90. Segundo o secretário do Meio Ambiente, Gérson da Silva, o programa ‘‘Adote um Canteiro’’, como ficou conhecido, não teve seqüência por causa da burocracia e da poluição gerada pela propaganda das empresas.
  ‘‘Para permitir que os empresários adotassem uma praça ou um canteiro, é preciso passar por um processo licitatório e os projetos deveriam ter uma linguagem paisagística única, o que ficou inviável’’, afirmou. Além disso, segundo o secretário, a manutenção dos locais não atendia as exigências propostas pela secretaria
  Silva relata ainda que a revitalização do canteiro da rotatória das avenidas JK com Higienópolis, por exemplo, orçado em R$ 6 mil com manutenção de R$ 1.500 mil a cada dois meses, não foi aceita por um empresário. ‘‘Ele considerou a manutenção cara e desistiu do projeto’’.
  Segundo o secretário, as parcerias com os empresários estavam ancoradas na questão da publicidade, o que ‘‘aumentaria o índice de poluição visual em Londrina. ‘‘Já temos poluição visual demais na cidade’’, afirmou Silva.
  A opção, de acordo com o Silva, é que a própria prefeitura faça a manutenção. ‘‘Estamos fazendo a reposição de árvores, a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo) se responsabiliza por aparar a grama e podar galhos’’.
  Uma parceria com a Secretaria de Obras, Sema e CMTU também vai garantir a revitalização da Praça Rocha Pombo (tombada pelo Patrimônio Histórico do Paraná), que já está em processo de licitação. ‘‘Já fizemos uma pequena intervenção no Bosque e recuperamos a Concha Acústica. Vamos trabalhando conforme a necessidade.’’

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