Praças retratam as desigualdades sociais
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quinta-feira, 25 de outubro de 2001
Marta Medeiros 
As praças de Maringá mostram facetas que variam do espaço democrático e de lazer à miséria. Assim, se transformam na própria cara do Brasil. Um breve passeio por elas é a melhor maneira de mostrar essa realidade.
Nas tardes de domingo, a Praça da Catedral, uma das mais ''turísticas'', revela um lado alegre, dinâmico e colorido. Turmas de jovens se reúnem para uma partida de vôlei e crianças se divertem no imenso espaço do gramado, enquanto algumas pessoas preferem curtir em alto e bom som a música dos carros estacionados.
Em outro canto da cidade, a Praça da Farroupilha, no Jardim Alvorada, maior bairro de Maringá, tem seus espaços nos sábados e domingos pela manhã reservados aos aposentados. Nas tardes, os jovens tomam conta e fazem do local seu ''point'' de final de semana. Mas durante a semana, a Farroupilha permanece com os aposentados, que se dividem em turmas. Um grupo discute os mais variados problemas sociais. Outro se diverte com jogos.
Já a Praça Raposo Tavares, a mais central, concentra um dos lados mais gritantes da desigualdade social. Prostitutas esperam clientes, crianças circulam desamparadas e estelionatários caçam vítimas ou ''comercializam'' documentos falsificados ou furtados.
É na Raposo Tavares também que manifestantes se reúnem em protestos grevistas ou em movimentos populares contra uma atitude ou outra dos governantes. Até um persistente pregador da Palavra de Deus discursa todas as tardes, para tentar salvar as almas perdidas que perambulam pelo local.
Outra praça, bem no centro da cidade - a Napoleão Moreira -, por mais absurdo que possa parecer convive com a proliferação de ratos. O excesso destes animais fez a Vigilância Sanitária deflagrar uma campanha entre os comerciantes locais para evitar o acúmulo de lixo.
O local é conhecido ainda como área de violência. A polícia não consegue conter os traficantes que fazem da Napoleão Moreira um dos pontos mais frequentados para venda de drogas. Desocupados também se concentram no local, cuja arborização favorece um descanso perfeito nos dias de maior calor.
Enfim, terminado este roteiro, o visitante se depara com espaços abandonados, esburacados e sem um mínimo de atrativo para o lazer ou para a contemplação. A situação precária das demais praças de Maringá provoca até um dilema na comunidade, pois muitas pessoas gostariam destes espaços para o lazer, como fazem os frequentadores das praças Farroupilha e Catedral.


