Praças concentram 30% dos crimes
Os comerciantes que trabalham nas principais praças do centro de Curitiba dizem que são alvo de constantes furtos e assaltos. São adolescentes, geralmente meninos e meninas de rua, que invandem os estabelecimentos comerciais, levando o dinheiro dos consumidores e parte dos produtos vendidos em panificadoras e bancas de revistas. As ações não tem hora para acontecer.
Segundo o engraxate Francisco Medeiros, de 60 anos, os adolescentes não poupam ninguém. Medeiros trabalha na Praça Tiradentes das 8h30 às 20 horas e diz que todos os dias assiste aos constantes furtos. O que eles mais pegam é carteira de mulher, afirma. Nos dias de pagamento, os meninos ficam perto da agência central do Banco do Brasil e levam as bolsas das mulheres. Eles pegam e saem correndo, ninguém consegue alcançá-los, diz.
Os problemas não atingem apenas as pessoas que circulam pelas praças. O próprio engraxate foi assaltado três vezes, duas delas na Praça Rui Barbosa. A gente nem avisa mais a polícia porque eles prendem e na semana que vem os meninos estão soltos de novo e fazendo a mesma coisa, salienta.
Mário Luciano Penha, proprietário de uma banca de revistas na Praça Tiradentes, diz que já foi assaltado três vezes. De acordo com ele, os assaltantes são adolescentes com idades entre 15 e 18 anos. Já perdi muitos freguezes por causa disto, eles reclamam que têm medo de passar por aqui, afirma Penha. Ele conta que os furtos e assaltos começam pela manhã, mas são intensificados no final da tarde. Eles ficam rondando as pessoas na praça e passam a noite cheirando cola e bebendo, diz.
Denúncia - Nos últimos dois meses, a polícia registrou no centro de Curitiba 3.567 ocorrências policiais e 30% delas foram atendidas nas 27 praças do centro. De acordo com os dados do Comando de Policiamento da Capital, a maioria das ocorrências atendidas é de atendimento a pessoas doentes e pequenos furtos. Sabemos que os furtos ocorrem com muito maior incidência no anel central de Curitiba, mas a polícia só pode agir quando a população denuncia, afirma o coronel Justino Sampaio, comandante do Policiamento da Capital.
De acordo com Sampaio, poucas são as pessoas que denunciam a ação dos batedores de carteira. As pessoas acham que não irão recuperar o que foi roubado e, por isto, deixam de denunciar, diz. Se recebermos pelo menos três ligações por dia falando sobre problemas nas praças centrais, não teremos dúvidas em reforçar o policiamento, concluiu Justino.Somente nos dois primeiros meses deste ano, a PM registrou 3.567 ocorrências nas 27 praças centrais de Curitiba
Arquivo FolhaPerigoAssaltos que acontecem no centro são geralmente cometidos por adolescentes que atacam pedestres e invadem estabelecimentosLuciana Pombo





