Amar. Verbo que pode estar acompanhado de uma plácida interjeição: ah! amar! Nas últimas décadas, o mundo viveu tempos de intensa transformação com o surgimento do anticoncepcional, da liberação sexual, das doenças sexualmente transmissíveis. Mas nem tudo isso junto parece ter conseguido romper o elo romântico que une duas pessoas numa relação verdadeiramente amorosa, que teimosamente resistiu à todas essas mudanças de comportamento e da moral. Tanto é assim que uma ''antiga'' forma de amar está voltando à moda pelas mãos de alguns amantes: a boa e velha praça recupera aos poucos seu espaço como refúgio para casais apaixonados em Londrina.
Por toda a cidade, há espaços públicos que voltaram a funcionar como cenário para algumas horas de namoro. Um dos mais movimentados é, novamente, a Praça Marechal Floriano, ao lado da Catedral, que já serviu ao mesmo propósito décadas atrás. Andando por entre os bancos, percebemos que os motivos para se namorar na praça são os mais diversos.
O casal de consultores, Thyago Souza, 21, e Sandra Gomes, 26, confessam que ''já namoraram muito em praças'' neste um ano, um mês e dezessete dias que estão juntos. ''Eu morava em Ibiporã e era um pouco complicado namorar em casa. Então, quando ela chegava a gente já ia direto para a praça'', revela o rapaz. Sandra confirma mas lembra que existem empecilhos: ''É muito gostoso mas é um pouco complicado porque a gente não tem muita privacidade''. Seu namorado completa lamentando que ''em Londrina, mesmo na praça da Catedral, não dá para namorar em paz'' por causa da violência. Por isso, os dois ficam no local até por volta de 20h30, ''no máximo''.
A balconista Patrícia e o auxiliar Fábio, ambos com 19 anos, é outro casal que está todo dia na praça. Namorar no shopping, para eles, nem pensar. ''Preferimos um lugar mais calmo e aqui na praça é muito tranquilo''. Sem contar que também acham muito mais romântico do que ficar sentados numa praça de alimentação, observados por todos os lados. Neste um mês e meio juntos, a balconista Franciele Ajala, 20, e o empacotador Thiago Fernandes, 17 anos, também já passaram algumas boas horas nos bancos da Floriano Peixoto. Como ainda não podem namorar em casa, os dois aproveitam para ficar um pouco mais de tempo juntos num lugar mais calmo. ''É legal porque não tem movimento e é bem mais seguro que outros lugares, como no carro, por exemplo'', diz Thiago.
Com bem mais anos de namoro do que todo esse pessoal, o casal de comerciantes Nelson Gomes e Carlota Xavier Gomes, ambos com 70 anos, só agora é que estão podendo desfrutar os momentos românticos que as praças oferecem. Dona Carlota conta que quando se conheceram e começaram a namorar, os pais dela não permitiam tamanha ousadia para a época. ''Meu pai era um alemão que não deixava a gente namorar de jeito nenhum'', recorda. Mas agora, tudo mudou. Ela e o marido, sempre que podem, passeiam tranquilamente pelo Calçadão e vez ou outra sentam num dos bancos para relaxar o corpo e a mente. ''A gente sai para andar depois do jantar e aproveitamos para namorar na praça um pouquinho'', fala Carlota, com um sorriso. ''Vamos fazer 50 anos de casados em 30 de novembro do ano que vem'', conta Nelson, orgulhoso. Sinal de que o amor pode sim resistir ao tempo e aos modismos.

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