Um grupo de rapazes de classe média está tirando o sossego dos moradores vizinhos da praça Gilda de Abreu, no Jardim Lago Parque (região central de Londrina). O local virou ponto de encontro e de uso de álcool e drogas injetáveis, como comprovam as garrafas de bebidas e seringas espetadas no tronco de uma das árvores. O acúmulo de lixo, inclusive hospitalar, que era outro problema denunciado pela vizinhança foi solucionado ontem pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
Sem se identificar, os moradores relataram que os rapazes frequentam o local sobretudo a noite e ficam até altas horas fazendo rachas e manobras arriscadas nas ruas em frente à praça. Tudo embalado pelo som alto e por substâncias entorpecentes. Segundo uma moradora, eles consomem bebidas alcoólicas, maconha e até drogas injetáveis. No tronco de uma árvore, a reportagem encontrou três seringas descartáveis espetadas. Os ''vestígios'' do problema estão por toda parte. Ontem à tarde, dois homens dormiam nos bancos cercados por garrafas de cerveja e lixo de toda espécie até mesmo luvas cirúrgicas e embalagens de produtos hospitalares.
Antes usada como ponto de caminhada de idosos e como área de diversão para as crianças do bairro, a praça hoje é praticamente de uso exclusivo do grupo de rapazes. ''De vez em quando eles vêm a tarde, mas o problema é pior a noite. Isso já faz mais de um ano e quase todo dia é a mesma coisa. A gente tem até medo de sair de casa'', reclamou uma moradora. ''A praça, que é um bem público, não pode ser usada pelos moradores'', completou.
Uma outra vizinha disse que já ligou por diversas vezes para a Prefeitura mas está ''decepcionada'' porque até o momento nada foi feito. A Polícia Militar também foi acionada mas nem mesmo as rondas teriam surtido efeito. Ela disse temer até pelos filhos, quando retornam para casa à noite. ''Enquanto eles não chegam em casa a gente não fica tranquila. Temos muito medo'', declarou.
Após ser procurado pela reportagem, o diretor de operações da CMTU, João Verçosa, enviou um fiscal até o local e notificou a prestadora do serviço para que tomasse as providências necessárias ainda ontem. No final do dia, funcionários da empresa começaram a limpeza. Verçosa assegurou que a Companhia irá tentar identificar como os restos hospitalares foram parar na praça. Como na região existem um hospital e inúmeras clínicas, ele cogitou que catadores de lixo podem ter deixado na praça os restos que não serviam para a reciclagem. A Folha também procurou o 5º Batalhão da Polícia Militar mas até o fechamento desta edição nenhum oficial se pronunciou sobre o problema.

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