Praça vira ''casa'' de desocupados em Maringá
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quinta-feira, 16 de maio de 2002
Lucinéia ParraEquipe da Folha 
Maringá - Uma das praças mais conhecidas de Maringá, a Praça Manoel Ribas, localizada na Zona Quatro, se transformou em moradia para um grupo de jovens e desempregados. Distante dos familiares pelos mais variados motivos, o grupo forma uma nova comunidade onde a regra básica é viver cada um da sua maneira, sem interferência de ninguém para qualquer tipo de ação. Na praça, o grupo lava as próprias roupas e calçados, realiza encontros informais para um bate-papo, se aproveita dos muros de uma pequena concha acústica para se proteger e se drogar e também para dormir.
Eles não revelam os nomes, com exceção de Juani Vital, 52 anos, um dos mais velhos do grupo. Vital diz que morava em Cambé e chegou até Maringá à procura de uma nova vida. Vital afirma que trabalha catando papel pelas ruas e que pretende juntar dinheiro para comprar uma carroça. Só assim vou poder ganhar um pouco mais e alugar um barraco para morar, justifica. Ele não se droga, mas defende os mais jovens do grupo que fazem uso de tinner em pleno dia. Para suportar esta vida difícil eles têm que fazer alguma coisa, só que aqui ninguém faz nada contra ninguém, diz.
Um dos jovens reforça a explicação do amigo e afirma que a decisão de cheirar solvente é pessoal. Cada um sabe o que faz, mas a gente cheira tinner porque as pessoas pisam na gente e acham que a gente é marginal e para aguentar tudo isso só mesmo se drogando, diz um dos meninos que mora na Manoel Ribas e que durante a reportagem da Folha, por volta das 14 horas, não fez questão de esconder o vício, cheirando a todo momento um pedaço de tecido embebecido em tinner.
Outro, se nega a dar entrevista, mas depois se solta e diz que mora na praça porque abandonou a família. Hoje, segundo ele, a Praça Manoel Ribas é o ponto de referência para muitas pessoas que não têm emprego, e onde morar. Aqui todo mundo respeita o outro e também as pessoas que passam por aqui, revela.


