Força de vontade, desejo de melhorar o próprio espaço e criatividade. Com estes ingredientes, direção e funcionários do Terminal Rodoviário de Londrina transformaram uma área nas proximidades que durante anos ficou desocupada, com a instalação de uma praça com brinquedos e equipamentos para ginástica. A ideia nasceu há pouco mais de um ano, após a abertura de uma rua na entrada na estação. Simples e sem altos investimentos, o projeto, batizado de Praça da Amizade, foi inaugurado há cerca de duas semanas e vem transformando a vida de muita gente.
É o caso do motorista Antonio dos Santos, que passou a frequentar o local todos os dias antes de ir para casa. Aos 53 anos, ele aproveita os finais de tarde para exercitar-se nos equipamentos para ginástica instalados junto aos brinquedos. ''Antes eu fazia caminhadas. Agora ficou mais fácil'', diz, sem parar de exercitar as pernas. Morador da Zona Norte, ele trabalha em uma empresa de autossocorro instalada em frente à Rodoviária. ''Eu já tinha visto este tipo de praça em uma cidade do Mato Grosso. Ficou ótimo, antes isso aqui era tudo mato.''
Já a passadeira Otacília Francisca da Silva Miguel encontrou ali uma opção de lazer para a filha Isabela, de sete anos, que participa todas as tardes do projeto Viva Vida, na Vila Fraternidade (Zona Leste), próximo ao terminal. ''Foi ela que viu, antes de mim, que estavam construindo uma praça aqui. Os homens ainda estavam trabalhando com os tratores e ela já estava pedindo para vir'', conta Otacília. A passadeira, que mora no Jardim Marabá (Zona Leste), não cansa de elogiar a iniciativa. ''Isso ficou muito bom. Lá onde a gente mora não tem nenhum lugar assim, e criança precisa brincar. Sempre que sobra um tempinho eu paro aqui com ela'', diz.
A assistente administrativa Edilene Palhares visitou o espaço pela primeira vez na semana passada. ''Eu moro no Interlagos (Zona Leste) e já tinha visto a praça. Hoje resolvi parar com a minha filha (Ana Luiza, de seis anos) para curtir um pouquinho.'' Para Edilene, uma característica positiva do espaço é permitir que os pais se exercitem enquanto os filhos se divertem. ''Dá para a gente caminhar sem tirar o olho deles'', argumenta, mostrando a pista de pedriscos que contorna a praça recém-gramada.
Eucalipto
O gerente operacional do terminal, Décio Fernando Rossetto Zulian, explica que os espaços vazios nas proximidades do complexo da rodoviária - que tem um total de 60 mil metros quadrados - foram deixados, provavelmente, para facilitar uma possível ampliação no futuro, mas até hoje isto não foi necessário. ''Ao final das obras de abertura da rua começamos então a pensar em aproveitar o terreno, oferecendo um espaço de lazer para a população que mora nas proximidades'', explica.
Segundo o gerente, quase tudo na praça foi construído com reaproveitamento de materiais. ''A cobertura do escorregador, os assentos dos bancos e as lixeiras, por exemplo, foram feitos com madeira de antigos bancos do Calçadão'', revela. Para os demais elementos, a colaboração de órgãos públicos e da iniciativa privada foi fundamental. ''As toras de eucalipto utilizadas para a construção dos brinquedos foram doadas por um dos nossos lojistas. A Secretaria de Obras entrou com a terraplenagem, com a iluminação e com os pedriscos. A Secretaria de Ambiente fez a arborização e plantou a grama que compramos. Já a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) cedeu as sucatas de ferro usadas para a confecção dos equipamentos de ginástica.''
Os recursos necessários para complementar o projeto - cerca de R$ 8 mil - vieram do próprio terminal, que também cedeu a mão de obra. De acordo com Zulian, durante alguns meses funcionários do Setor de Manutenção dividiram as tarefas do dia a dia com as atividades no parque. E até hoje, quando necessário, dedicam parte do dia aos consertos necessários. ''A Praça da Amizade é resultado de um esforço entre amigos'', resumiu o gerente operacional da rodoviária, lembrando que o investimento feito no local foi baixo se comparado aos benefícios que tem proporcionado.

mockup