Praça na Zona Sul é preservada por funcionário público
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terça-feira, 06 de maio de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
O empenho do funcionário público Edson Santos Silveira vem transformando uma pequena área de 300 m2 no Conjunto das Flores (Zona Sul em Londrina) em um pedacinho de paraíso. O local, antes abandonado e que servia como depósito de entulhos despejados pelos próprios moradores, hoje se transformou em uma pequena praça, onde adultos e crianças aproveitam para passar horas agradáveis.
O terreno ganhou árvores frutíferas, que começaram a ser plantadas há dez anos. O abacateiro, que hoje dá frutos, foi a primeira árvore da praça. ''Era uma muda bem pequena e eu cerquei e cuidei até ficar deste tamanho'', relembra Silveira, enquanto mostra a imensa árvore cheia de frutos. Em seguida vieram outras árvores frutíferas, como jaca, araçá e acerola, que também já produzem frutos. O terreno também abriga um pé de erva-mate e urucum (coloral), utilizado no tempero de alimentos, para alegria das donas de casa.
Além das árvores frutíferas, as plantas ornamentais ajudam a completar a beleza da pequena praça. São mudas adquiridas em terrenos baldios, jogadas por jardineiros que fazem a poda em residências e dispensam as plantas. ''Aproveito todas as plantas que enconto jogadas e muitas vezes ganho mudas de alguns jardineiros'', explica o funcionário público, que já ganhou da vizinhança o apelido de ''Reflorestador''.
Quando Silveira estava de férias, os cuidados na área eram realizados todos os dias. Todas as manhãs ele se encarregava da limpeza da praça, corta o mato e poda as plantas. Durante o período em que está trabalhando na prefeitura, a manutenção acontece nos finais de semana.
Para a moradora Alzira Navarro Bravo, o esforço de Silveira é grande e importante para o bairro. ''É ele quem preserva o lugar, plantando árvores nas ruas e preservando a praça, mesmo com dificuldades porque pouca gente colabora. É um verdadeiro herói.''
Junto da mãe de Silveira, Maria Augusta Silveira, Alzira é responsável pela varrição da rua em volta da praça. ''Todos os dias o local amanhece sujo, cheio de garrafas, latas de cerveja, papel de lanche. As pessoas não se conscientizam sobre a necessidade de preservação'', afirma a mãe, que reconhece o esforço do filho.
Outros moradores vizinhos também elogiam a iniciativa de Silveira. Mercedes Serantin passa todos os dias pelo local e reconhece a mudança do terreno. ''Antes tinha muito lixo, entulho. Hoje está preservada, bonita. É isso que precisamos. De um bairro limpo e bonito'', elogia.
Várias árvores também já foram plantadas nas calçadas próximas à praça. Uma delas, uma muda de Sete Copas, resiste bravamente ao vandalismo. ''Perdi a conta de quantas vezes ela foi quebrada, mas tornava a cuidar e ela agora está crescendo'', afirma Silveira.
A estratédia para salvar a árvore foi plantar uma muda de abacateiro junto e cercar as duas plantas com arame farpado, numa tentativa de impedir o vandalismo. Mesmo assim, as duas mudas sofreram vários ataques. ''A planta que vingar melhor será preservada e pelo jeito será a Sete Copas, que está bonita e cheia de brotos'', prevê Silveira.
Silveira já não mora mais no bairro onde fica a praça, mas faz questão de preservar o local, onde leva as duas filhas pequenas para brincar nos finais de semana. ''Estou fazendo a minha parte. Colaborando com os moradores e ajudando a preservar a natureza. Faço isso porque sei da importância da preservação e gostaria que as pessoas ajudassem não sujando o local. A praça é de todos, é um lugar bonito que precisa ser preservado''.
Outra área vizinha à praça, na PR-445, começou a ser preparada pelo funcionário público. São 600 metros de um terreno à beira da rodovia, que estava abandonado e que agora foi roçado e começa a receber mudas de árvores frutíferas, como manga e jaca. ''Quero que as pessoas passem por ali e consumam os frutos, sem destruir as árvores''.


