Praça Londrina (Estelio Feldman)
Josoé de CarvalhoAzedouO bolo alusivo ao penta devia ser tão saboroso quanto bonito. Deu bruxa!Repeti, incansavelmente, não só aqui mas em conversas com amigos e conhecidos, a idéia segundo a qual a derrota da seleção do Brasil, em qualquer fase da Copa, representaria, entre outras coisas, um enorme prejuízo para muita gente. Houve até quem não entendesse, julgando que minha preocupação maior era como torcedor. De fato, era. Nunca escondi que torcia, como sempre. Por vezes nem confiava, mas claro, queria. Disse isto até ao amigo Militão, quando pediu palpite. Não dei palpites, nem disse que acreditava que a gente iria ganhar. O que queria era que a seleção ganhasse. E a derrota não compensaria nem sequer o fato de o comércio, a indústria, o serviço público, os bancos, os serviços, poderem funcionar normalmente se a seleção tivesse sido eliminada nas fases iniciais do certame.
A seleção foi até a final e, como a gente nem quer mais lembrar, perdeu. E o prejuízo para muitos (não só para os bem pagos jogadores e membros da Comissão Técnica) foi elevado.
Bandeiras que iriam enfeitar tudo, nos dias subsequentes, foram para o depósito, camisetas com os nomes dos jogadores, idem. Boa parte, inclusive, perdida porque seguramente boa parte dos que estavam na França não voltarão em 2002; cornetas, tudo o que poderia ser usado para festejar ou foi para o lixo ou ficou para outro evento.
Perderam os comerciantes que fizeram inclusive bolos alusivos à conquista e que, sem dúvida, teriam saído como pão quente naquele domingo, se o resultado fosse outro. Perderam os que fizeram bico vendendo coisas por toda parte, resolvendo ao menos por algum tempo o drama da falta do emprego.
Claro, a vida continua, a gente tem de olhar para a frente. As eleições estão aí e, sem qualquer dúvida, também vão dar serviço a muita gente. De qualquer modo, é bom ficar também esta lição: seleção brasileira de futebol indo bem, o Brasil inteiro ganha com isto. Se perde, além do prejuízo tem também a queda na auto-estima do povo, um prejuízo que não dá nem sequer para calcular.





