Praça Londrina (Estelio Feldman)
Discriminação
Milton DóriaApeloEdna e Zenaide: ‘Não queremos cesta básica, queremos trabalho’Conseguir emprego não está fácil para ninguém. Mas as pessoas um pouco mais velhas enfrentam, além das dificuldades normais desta época, a discriminação por causa da idade. Foi isto o que as irmãs Zenaide Dias Gonçalves, de 56 anos, e Maria Edna Dias, de 46, vieram aqui para dizer, como uma verdadeira denúncia.
Zenaide está desempregada há meses. Tem até tempo para se aposentar - só que também isto está difícil. E, na verdade, como não quer ficar na categoria dos que foram xingados pelo presidente (os que se aposentam cedo), ela quer mesmo é trabalhar. Não consegue nada.
A situação de Edna só é diferente porque ela saiu do emprego, no Hotel do Lago. Era longe demais. Como camareira com muita experiência, tinha certeza de que conseguiria novo emprego. Engano. ‘Só aceitam camareiras até 30 anos’, ela contou. Nem no Sine consegue nada, o mesmo ocorrendo com sua irmã.
A primeira tem, ainda, o salário desemprego, que vai acabar. A outra, nem isto. ‘Dependo de minha filha - conta - o que é uma coisa que me deixa ainda mais frustrada’. Foram à Prefeitura, à Secretaria da Mulher. ‘Querem dar cesta básica, a gente quer trabalhar’, dizem. Mas, parece, estão alijadas - pela idade - do mercado.Moedas
O leitor veio e como que desabafou: ‘É preciso dar um jeito nas nossas moedas’, ele disse. E contou que um dia destes fez uma compra no valor de 3 reais e noventa centavos. Deu 5 reais, recebeu duas moedas: uma de 10, outra, ele pensou, de 1 real. Só percebeu que, na verdade, tinham lhe dado uma moeda de 50 centavos no lugar da de 1 real quando, no ônibus, foi pagar a passagem. ‘Por sorte - revela - tinha mais dinheiro. Mas foi uma situação constrangedora, além do prejuízo’. Perder 50 centavos pode parecer pouco, mas para quem ganha o mínimo é bastante!
Ele não pensa que quem lhe deu o troco errado o fez intencionalmente. ‘É que as moedas são quase iguais, quase do mesmo tamanho. Tirando a de 25 centavos, quem enxerga pouco pode confundir a de 50 centavos com a de 1 real’.
Tenho ouvido falar que o governo está pensando em lançar uma nova ‘família’ de moedas. E uma das idéias é, justamente, a de estabelecer um modo mais efetivo para a distinção. Só que isto está demorando.
‘E quando sair esta nova família espero que façam muitas moedas de 1 centavo porque quando compro alguma coisa naquelas lojas do 1,99, quero o troco’, completa o leitor.Festa de quem?
A Rede Globo está promovendo com enorme alarde a festa dos 500 anos da descoberta do Brasil. De fato, é uma data histórica, importante. Mas a festa é de quem? Em Portugal, que também celebra esta data, afinal foram eles os descobridores, há outras comemorações. Agora, a festa é por conta dos 500 anos da chegada de Vasco da Gama às Índias, também um marco histórico na redescoberta do mundo. Mas a festa tornou-se motivo de polêmica entre dirigentes da oposição, alguns intelectuais e a Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos, criada para celebrar a memória e as proezas dos grandes navegadores portugueses.
Ocorre que, se para Portugal a data é motivo de festa, para os indianos a situação é diferente. E tem sido grandes as reações negativas nos meios nacionalistas indianos ante a idéia de celebrar a chegada do navegador português a Calicute, fato que representou para eles o início da colonização européia e os primeiros ataques à cultura indiana.
Entre nós, também, penso que deva ser necessária alguma ponderação. Os remanescentes da época da descoberta, os nossos índios, devem ter outra visão sobre o evento e a respeito de sua comemoração.A dança do celular
Passei o fim de semana em São Paulo e, entre tantas coisas, fiquei sabendo de uma nova ‘dança’: a dança do celular. É praticada por todos quantos tentam usar esta maravilhosa invenção do engenho humano, o telefone celular. É um tal da pessoa ficar se movimentando para cá e para lá, virando o corpo, mudando de posição, só falta ficar dando pulinhos. Tudo para conseguir ouvir o que o interlocutor, do outro lado do celular, está falando.
Ouvindo isto (e até participando em dado momento, quando atendi a um celular e tive de ficar procurando lugar para ouvir melhor) fiquei pensando como a gente raramente percebe quando as coisas funcionam.
Como aqui em Londrina. Há algum tempo, reclamei até do fato de ver as pessoas andando pelo Calçadão e falando no celular. Mas por aqui as pessoas andam e falam, não precisam dançar para conseguir a comunicação com o celular.
Londrina conta, sem dúvida, com um excelente serviço telefônico, tanto no sistema convencional quanto no celular. E exatamente porque é bom e funciona, porque existe aqui uma disponibilidade plena de telefones para quem precise, porque, enfim, as queixas são poucas e a eficiência é grande, é que nem percebemos.

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