Praça Londrina (Estélio Feldman)
Imigração japonesa
Arquivo FolhaCelebraçãoCerimônia do chá: os imigrantes trouxeram também tradições
A Imin-90, festa que marca os 90 anos da imigração japonesa, tem um imenso significado: é o marco inicial de uma verdadeira epopéia que foi a vinda dos primeiros imigrantes oriundos da Terra do Sol Nascente. É até difícil imaginar o misto de apreensão e esperança que tomava conta daquelas heróicas pessoas que atravessaram o oceano e vieram dar numa terra estranha, a fim de começar uma nova vida.
O resultado disto nós conhecemos. A contribuição dos imigrantes japoneses à vida, à História, ao progresso do Brasil é imensa. Este Norte do Paraná, como São Paulo, como tantas outras regiões que tiveram a felicidade de receber parte dos imigrantes japoneses, todos se beneficiaram muito de seu trabalho, coragem, determinação, exemplo. Hoje, os descendentes dos imigrantes estão por toda parte, continuando a dar uma contribuição fantástica ao país que seus descendentes escolheram e que é, agora, também de todos eles.
Os 90 anos da imigração japonesa servem, também, no meu entendimento, para celebrar toda a imigração, todos quantos vieram de todas as partes deste mundo (inclusive meus pais) para formar esta grande pátria de todos nós.Udihara
Quando se comenta de imigração, fala-se de gente. São pessoas que deixaram sua terra, quase sempre premidas por dificuldades terríveis, e que buscaram uma sorte melhor em outro lugar. Vieram com esperanças mas com vontade. Se conseguiram sucesso, isto se deve ao trabalho duro, à dedicação, ao esforço imenso, superando enormes obstáculos.
Destacar uma ou outra pessoa neste quadro pode parecer injusto. Londrina, por exemplo, deve muito aos imigrantes e seus descendentes, tanto os japoneses quanto os que vieram de outros pontos do planeta. Como hoje o assunto é a imigração japonesa, é natural destacar esta colônia. E ao lembrar de alguns dos membros dela, imigrantes e descendentes, penso que se presta homenagem a todos.
Lembro, por exemplo, de uma figura fantástica, de um pioneiro que foi o responsável pela vida e saúde de incontável número de londrinenses, o médico pediatra Isao Udihara. Pioneiro e profissional, um homem que engrandeceu a prática da medicina entre nós e que foi muito além disto, uma pessoa que honra a Humanidade. Um ser humano que marcou sua passagem, deixando para Londrina o exemplo de trabalho, dedicação e de um amor imenso aos semelhantes.Oguido
Outra pessoa que lembro sempre que o assunto é a imigração japonesa e a colônia nipônica é um jovem que marcou de modo fulgurante sua trajetória como homem público e que ao morrer deixou, mesmo, um vazio imenso. O deputado federal Homero Oguido, que conviveu com a gente bem de perto na última campanha eleitoral (seu comitê era diante de minha casa), é outro exemplo de trabalho e dedicação da colônia japonesa.
Mesmo tendo atingido, em função de seu trabalho, de sua coragem, de seu senso público, um dos mais altos postos na República, como deputado federal, Homero nunca esqueceu suas origens humildes de trabalho. O que, aliás, constitui a grandeza maior de um ser humano.
Como ele, muitos descendentes da colônia japonesa enveredaram pela política e deram (e continuam dando) importante contribuição ao País. Este é outro exemplo do significado da participação japonesa na vida brasileira. Pois foi da semente dos que começaram a vir, há 90 anos, que se forjou esta nova força. Foi a partir daí que surgiu esta contribuição fantástica para a construção de um Brasil maior e melhor. Os imigrantes marcam o início de uma saga que se completa nesta integração que faz de todos, indistintamente, a grande nação brasileira.O mundo não vai acabar
Ainda tem gente que pensa que o mundo vai acabar na entrada do ano 2000. É um temor que repete o que ocorreu na véspera do ano 1000. A este respeito, é interessante repetir mensagem do Papa João Paulo II, que condenou, durante audiência geral no Vaticano, as previsões sobre o fim do mundo por ocasião da entrada do terceiro milênio, como aconteceu no início do atual milênio.
O papa assegurou, diante dos cerca de dez mil peregrinos que assistiam à audiência na Praça de São Pedro, ‘‘que a história caminha para sua meta e que Cristo não indicou um prazo cronológico’’.
Para o pontífice, ‘‘as previsões do fim do mundo são ilusórias. Cristo somente nos disse que o fim não chegará antes que sua obra salvadora consiga dimensões universais, através do anúncio do Evangelho’’.
João Paulo II citou as palavras de Cristo. ‘‘Esse Evangelho será anunciado no mundo inteiro para que todos sejam testemunha. Só depois o fim chegarᒒ.
Em seu discurso, João Paulo II destacou que o Jubileu do ano 2000 ‘‘evoca a primeira manifestação histórica de Cristo e nos convida a ver o futuro à espera da segunda chegada ao final dos tempos’’.

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