Praça Londrina (Estelio Feldman)
Praça Londrina (Estelio Feldman)
O grande vilão do trânsito
Arquivo FolhaAmeaçaO carro estacionado na faixa de segurança, ameaçado pelos pedestres
O novo Código Nacional do Trânsito trouxe, entre muitas inovações, algumas obrigações para os pedestres. O que, sem dúvida, é importante. Todavia, ouvi na semana passada comentários segundo os quais se projeta uma grande ação para punir os pedestres por infrações que cometam.
Vejam vocês: depois de tantos anos, tantos acidentes, tantas mortes, parece que as autoridades descobriram que o grande vilão do trânsito é o pedestre. Um absurdo sem tamanho, naturalmente, mas com uma certa lógica irracional, que faz parte mesmo da cultura de nossa civilização. O cidadão comum, que anda a pé, é não só o inimigo mas a ameaça a um tipo de sociedade que muda até a configuração do homem que não é mais um ser com cabeça, tronco e membros. Não, na nova era, a do automóvel, o ser humano tem cabeça, tronco e rodas. A pessoa a pé é uma ameaça para os coitados dos motoristas que têm de reduzir a velocidade, nas esquinas, precisam tomar cuidado com os irresponsáveis que andam para lá ou para cá.
Não sou contra a educação no trânsito, também para os pedestres. Nem contesto a determinação de se atravessar a rua só em faixa de segurança. Mas e onde não há faixa? Ou se o carro estaciona sobre ela? Solução absurda: multar o pedestre por atrapalhar o trânsito.Previsão
Algumas vezes, durante o inverno, as previsões do tempo citam especificamente o Norte do Paraná, falando da possibilidade de geadas. Mas confesso que nunca tinha ouvido, na previsão do Jornal Nacional, uma informação tão taxativa quanto a de quarta-feira da semana passada. O anunciador falou que haveria fortes tempestades no dia seguinte em toda a região sul, menos no Norte do Paraná. Fiquei até contente porque o tempo estava feio. Daí, veio a quinta-feira e, caso vocês não lembrem, foi aquele toró. Choveu mais do que de costume.
Então, ficam as dúvidas: será que não estamos mais no Norte do Paraná? Ou a gente imaginou a chuva? Ou, coisa inconcebível, a TV errou? Vejam vocês, que dilema. Se a gente sequer pensar que a TV pode errar, todos os valores estáveis das crenças comuns estão abalados...
Ironias à parte, o que realmente é marcante é que, apesar de toda a evolução, as previsões do tempo continuam a ser falhas. E nós, viciados nelas, temos de continuar a vê-las, mas sempre com fortes restrições.
Na dúvida, olhe para o céu. Mesmo que a Rede Globo tenha garantido, no confiável Jornal Nacional, que não vai chover no Norte do Paraná, saia de casa com um guarda-chuva.Albergue
Na nota que publiquei, semana passada, sobre os 45 anos de trabalho do Albergue Noturno, em Londrina, cometi um erro. Relatei ali que o Albergue atende a um total entre 1.800 a duas mil pessoas por dia. Foi um equívoco meu, mesmo. A informação correta, que foi passada pela direção do Albergue, era que o atendimento é de entre 1.800 a duas mil pessoas por mês.
Independente, porém, do meu erro, a verdade é que isso não diminui o valor do trabalho de assistência que é desenvolvido pelo Albergue. Nem reduz os problemas que aquela entidade enfrenta. São cerca de 60 pessoas que, todos os dias, recebem alimento, banho e uma cama. Sem contar os que são atendidos só com o alimento ou o trabalho que o Albergue faz em uma favela.
No começo do próximo mês, dia 6 de junho, o Albergue realizará uma promoção, na Loja Maçônica da Rua Alagoas (centro), para arrecadar fundos a fim de prosseguir seu trabalho. É uma boa oportunidade para quem quer ajudar. E quem tiver alguma coisa para doar, pode entrar em contato com o Albergue, até por telefone. Ligue para o 329-0137 que o Albergue mandará buscar. Mas se você quiser ver o que se faz lá, e levar pessoalmente alguma doação, o endereço é Rua Araguaia, 589. Cinéfilo reclama
Um leitor, que diz apreciar o cinema, me procura para reclamar da programação dos cinemas locais. Queixa-se, principalmente, de não ter podido ver, até agora, dois dos grandes filmes da temporada, indicados para vários Oscars. Um deles é Gênio Indomável, que deu o prêmio para Robin Williams, e que está sendo anunciado, em cartaz, nos corredores da galeria dos cinemas do centro.
Outro, o dos homens que resolvem fazer strip-tease para sobreviver, indicado para melhor filme, que também está anunciado há tempos, mas nunca é exibido.
O leitor diz - e lamenta - que não há um critério definido para a exibição de filmes. Ele entende que só a indicação para o Oscar já valeria exibição, até como meio para que o espectador local tivesse condições de fazer sua própria avaliação.
Outra reclamação: o fato de Central do Brasil, filme nacional premiado no Festival de Berlim, ter ficado só uma semana em cartaz.
Mesmo sem consultar o pessoal do cinema, essa eu posso explicar: ficou pouco porque, certamente, não teve público. É o grande drama do nosso cinema. Premiado e sem público.





