Praça Londrina (Estélio Feldman)
Praça Londrina (Estélio Feldman)
Trânsito assustador
Arquivo Folha
ConfusãoGrande número de veículos nas ruas torna trânsito muito perigosoDois mortos, no fim de semana, em consequência de atropelamentos. Neste começo de mês, já se contam três vítimas fatais do trânsito em Londrina. É demais. Em uma projeção, poder-se-ia contar com nove vítimas fatais só em um mês, o que daria mais de 100 ao ano. E isto com Código de Trânsito novo, com multas mais pesadas, com uma série de exigências.
Infelizmente, o que continua a faltar são a consciência e a educação. Conheci um jovem, estes dias, que entrou em auto-escola para tirar sua habilitação. Fez todas as aulas, realizou as provas, passou. Enquanto fazia auto-escola jamais pegou um carro para se exercitar. Depois, aprovado no exame, só pegou um veículo após haver recebido a Carta de Habilitação.
Nem preciso dizer: é um caso inédito, até parece invenção. A maioria pega carros e sai por aí, aprendendo no meio do trânsito. Já começa mal. E esta falta de consciência sobre a responsabilidade ao volante se reflete nos números: acidentes, feridos, mortos.
Londrina tem carro demais nas ruas. Precisa de educação para o trânsito, de responsabilidade por parte de quem assume um volante, de quem entrega um carro para outro.Bancos
Se dependesse de um grande número de leitores, a gente manteria um tópico permanente na Praça: filas em bancos. De fato, é só passar pela área central da Cidade pouco antes das 11 da manhã para perceber o drama: na frente de praticamente todas as agências existem filas enormes. Quando as portas abrem, a situação não muda muito e as pessoas, lá dentro, precisam exercitar toda a paciência do mundo para esperar pelo atendimento.
Nesta época em que os brasileiros vão adquirindo cada vez maior consciência de seus direitos, a luta por um atendimento melhor nos bancos chega a ser até uma espécie de bandeira. Afinal, por que é que não se percebe interesse ou preocupação dos responsáveis pelos estabelecimentos bancários em melhorar o atendimento ao público? A impressão é a de que, nos bancos, persiste a mentalidade antiga em relação ao cliente, cujos interesses e preocupações não eram levados em conta.
O comércio já mudou, percebe-se isto também até na indústria e, principalmente, nos serviços. O cliente ganha espaço em toda parte, é visto como fator fundamental para o processo. Uma correção: em toda parte, não! Os estabelecimentos bancários persistem em tratá-lo sem nenhum respeito.Questão de direito
O juiz da 6ª Vara Cível de Sorocaba (SP), Eduardo Velho Neto, condenou a empresa de TV a cabo Multicanal a recolocar no ar dez canais retirados sem a concordância dos assinantes. A ação foi iniciada há quatro meses, logo após a empresa ter mudado sua programação, retirando da grade os canais que considerava de baixa audiência. Na sentença, o juiz condenou também a Multicanal a devolver aos assinantes os valores pagos a mais no período em que tiveram menos canais no serviço. A decisão beneficia os 30 mil assinantes da TV a cabo naquela cidade.
O juiz acatou denúncia formulada pelo promotor de justiça Orlando Bastos Filho, para quem a empresa infringiu o Código do Consumidor, alterando a programação dos pacotes e tirando canais do ar sem a concordância dos usuários do serviço. Alguns canais que integravam a programação antiga foram incluídos em um pacote denominado Advanced 98, comercializado à parte. A Multicanal vai recorrer da sentença ao Tribunal de Justiça do Estado. Segundo a empresa, a retirada de alguns canais da programação foi precedida de uma pesquisa entre os assinantes. O que importa, porém, é mostrar que o consumidor, hoje, não é mais vítima sem alternativa.Destempero
Não sou aposentado, ainda. A ressalva é feita porque de outro modo este comentário poderia parecer defesa em causa própria. Chamar de vagabundo a quem se aposenta com menos de 50 anos, como o fez o presidente da República, é abusivo, vergonhoso, até irresponsável. Penso que trabalhar é bom, mas entendo que o sr. presidente da República não pode, de modo algum, criticar quem se aposenta com qualquer idade. É verdade que os que se aposentam cedo, em muitos casos, são privilegiados. Mas conheço gente que começou a trabalhar com 12, 13 ou 14 anos, que completou 35 anos de trabalho antes dos 50 (estou falando de pessoas ligadas à iniciativa privada) e que tem todo o direito de se aposentar porque obedeceu à lei, contribuiu conforme o estabelecido. Está no seu direito, não pode ser chamada de vagabundo.
O desabafo do presidente errou o alvo. E o xingamento. Se é verdade que a proposta de mudança na aposentadoria, feita pelo presidente, foi rejeitada pelo Congresso, isto ocorreu não por causa dos que trabalham mas dos aliados do presidente, que o enganaram, como tem sido quase um hábito. Chamar de vagabundo a quem trabalhou por 35 anos e ganha uma miséria da Previdência é ofender a todos quantos trabalham neste país.





