A cachorra se chama Charuska. A gata, Chiquinha. Como todos nós sabemos, gatos e cachorros não são amigos. Na verdade, estes dias tive a triste comprovação disto quando um dos gatos lá de casa, um pretão lindo, entrou inadvertidamente num quintal em que se encontrava um cachorro. E foi trucidado. No caso, como diriam os fabulistas, apenas um resultado natural da guerra entre os animais.
Mas não é o que acontece entre Charuska e Chiquinha. A gatinha foi levada à casa em que mora a cachorra com pouco mais de um mês, ainda na fase de amamentação. Contaram-me que a mãe da gatinha morreu. Daí, Chiquinha se chegou à Charuska e a cachorra a acolheu. Mais importante: a gata começou a mamar e a cadela produziu leite. Vocês não acreditam? Quem me contou garante que é a mais pura verdade. E eu acredito.
As duas vivem muito bem, brincam, uma alimenta a outra, num relacionamento que, na verdade, não é tão incomum. E que, além de mostrar que é possível que animais considerados inimigos naturais podem conviver em harmonia, serve até como exemplo para este outro animal, que se chama racional, e que não consegue evitar brigas e guerras com seus iguais. Penso que Charuska e Chiquinha subvertem, profundamente, o conceito que se estabeleceu na frase ‘viver como cão e gato’.Ônibus
Vi, na TV, a apresentação de um novo e moderno ônibus de uma empresa de transporte interurbano. Na ocasião, um dos dirigentes da empresa contou que a adoção de veículos cada vez mais modernos, seguros e confortáveis fazia parte de uma estratégia para reconquista de mercados, informando que, com o plano de estabilização, o transporte de passageiros interurbano perdeu uma boa fatia do mercado.
Não há dúvida que este é o caminho: oferecer conforto, eficiência, preço e rapidez. Ao lado disto, porém, e provocando um verdadeiro choque, há uma reclamação que recebi de um leitor que veio, estes dias, de ônibus de Ourinhos.
Foi, disse o leitor, uma viagem de pesadelo. O ônibus foi parando de cidade em cidade e recebendo passageiros. Veio mais lotado que os coletivos urbanos que fazem a linha para a UEL no horário de aula. Gente de pé, um desconforto enorme.
No passado, pelo que me lembro, era proibido transportar passageiros de pé em ônibus de linha interurbana ou (como no caso) interestadual. Não sei se a lei mudou. Mesmo permitido, transportar passageiro como sardinha em lata não é exatamente a idéia que se pode fazer de algum tipo de esforço no sentido de recuperar os clientes. Lâmpadas
Nos últimos tempos não conseguia encontrar lâmpadas de 127 volts para comprar, por mais que procurasse. Só esta semana descobri o porquê: é que pararam mesmo de fabricá-las, conforme vi em reportagem na televisão. Lamento minha ignorância, mas lamento mais este tipo de coisa, um verdadeiro assalto ao consumidor. Pois, como informa a reportagem, as lâmpadas de 127 volts são mais duráveis que as de 120 e gastam menos energia. Tem um inconveniente: são um pouco menos claras.
Em realidade, porém, penso que pararam de fabricá-las não foi pelo inconveniente e sim por motivos econômicos: era para fazer o consumidor gastar mais. Segundo a reportagem que vi, esta simples medida provoca um imenso prejuízo ao público que paga mais em energia e tem de comprar mais lâmpadas. É um verdadeiro abuso em uma época em que reduzir o consumo deveria ser preocupação comum.
A reportagem que vi informa que há um movimento para o restabelecimento da fabricação e venda, no Brasil, de lâmpadas de 127 volts. Revelou-se, até, que há técnicas que permitem que aquelas lâmpadas tenham o mesmo brilho das de 120. Ainda que assim não fosse, penso que o consumidor deve ter o direito de escolha e que a suspensão da fabricação delas é um acinte ao consumidor.

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