Praça Londrina (Estelio Feldman)
A nossa Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina ainda nem começou - o início ocorre amanhã - e já recebi duas reclamações. A primeira foi de coleguinhas da imprensa, que têm ido quase que diariamente ao parque Ney Braga cumprir suas tarefas, produzindo informações sobre a Feira em todos os seus detalhes. Eles reclamam do que chamam de excesso de zelo dos seguranças, que torna complicada sua atividade. Contam que têm dificuldades para passar, os guardas fazem uma vistoria que mais parece a dos responsáveis pelas fronteiras, chegando a transtornar os que vão para lá a trabalho.
A segunda é antecipada e de maior alcance: muita gente veio se queixar do preço da entrada (R$ 5,00). É verdade que ingresso comprado antecipadamente custa menos (R$ 4,00) mas nem todos sabem sequer quantos ingressos vão precisar. E mesmo a taxa de R$ 4,00, para uma família de 4 ou 5 pessoas, já é pesada.
Soube que o preço do ingresso leva em conta os shows que são apresentados durante a Feira. Mas muita gente não vai lá para ver os shows. E paga do mesmo jeito.
Claro que os promotores é que sabem quanto devem cobrar, diante da própria complexidade da Exposição. Entretanto, uma simples conta mostra que uma família pequena, mesmo que não use carro, vai gastar para entrar uma boa parcela do que normalmente reserva para o lazer. Sobra pouco para a Feira em si. Um custo que pode afastar muitos da Exposição.Elogio
Uma das primeiras queixas publicadas aqui, no reinício desta Praça, foi da leitora Karen Suenson, que reclamava da ação dos guardadores de carros que, segundo dizia, tornava insuportável a vida de quem sai de casa, notadamente à noite. Em qualquer parte, dizia ela, há sempre um dono da vaga de estacionamento, exigindo dinheiro para cuidar do carro.
A leitora volta, agora, mas com um elogio. Conta que foi personagem de uma cena gratificante no último fim de semana:
A Casa de Shows Cinema Café montou guarda particular nos arredores do estacionamento, durante uma festa promovida no sábado à noite, revela ela. Eram homens uniformizados, bem educados, que se identificavam como funcionários do estacionamento e nos desejavam uma boa noite de diversão. Era impossível não aproveitar ao máximo o show que a casa oferecia, visto que estávamos tranquilos com o novo serviço que nos estava sendo oferecido. Valeu.
Pois é, simples assim. Uma atitude inteligente do estabelecimento. Garante-se ao público segurança sem preocupação. Quanto quer que tenha custado para os organizadores, foi vantajoso. Não resolve o problema dos auto-intitulados guardadores, mas pode ser uma boa idéia para quem quer tratar melhor o consumidor, o que é uma das lições mais simples do bom trabalho do comércio.Lobato
Abril é o mês em que se celebra Monteiro Lobato, o inesquecível escritor de Sítio do Pica-Pau Amarelo, mas autor, também, de obras fantásticas dirigidas ao público adulto. Lobato foi um polemista, um lutador pela nacionalidade, um brasileiro que usou sua capacidade intelectual para defender causas da mais elevada importância, além de ter realizado importantes incursões pelo setor empresarial. Numa época em que não havia espaço para o escritor brasileiro, ele o criou. E, se sofreu percalços com isso, o que importa é sua dedicação, sua vontade inquebrantável, ao lado de um talento fantástico.
A grande contribuição de Monteiro Lobato, sem dúvida, à literatura, foi o trabalho que fez em relação às crianças. Antecipou Disney, é o precursor de Mauricio de Souza na criação de um universo eminentemente brasileiro.
E neste mês a Biblioteca Pública Ramal Vila Nova (zona leste) está promovendo o 3º Concurso de Desenho Monteiro Lobato, dedicado a crianças entre 6 e 14 anos. Os trabalhos devem ser feitos à mão livre, coloridos, com algum dos personagens de Lobato. As inscrições começaram ontem e vão até o dia 24 de abril. E haverá prêmios para os de melhor classificação.
Entre as homenagens a Lobato, realizou-se ontem a Hora do Conto, com a boneca Emília, na Biblioteca da Vila Nova, programa que se repete no dia 16, às 16 horas.Semana Santa
Um leitor me ligou um dia para dizer que gostava de quase tudo o que eu escrevia. Menos dos comentários sobre religião. Pedi a ele que aprofundasse a crítica, mas até agora ele não deu retorno. E, temendo até desagradá-lo, me envolvo com o tema porque dele a gente não pode escapar, ainda mais nesta época.
Estamos na Semana Santa, uma ocasião importante no calendário cristão, qualquer que seja a denominação pessoal. Rememora-se os últimos dias de Jesus na Terra, como homem, seu sofrimento, sua paixão, morte e, principalmente, a ressurreição na Páscoa.
Muita gente está mais preocupada com os ovos, o chocolate, os presentes, o que é até natural. Todavia, esta é apenas uma das faces da Semana, que tem muito mais que isso. Na verdade, assim como no Natal, o mais importante não é o Ovo de Páscoa mas tudo o que ocorreu e o reflexo daquilo sobre a vida dos seres humanos a partir de então. Vivemos num país que se diz cristão. A maioria da população londrinense o é. E, de um ou de outro modo, todos se envolvem no clima, o mistério mesmo de tudo o que aconteceu em Jerusálem há quase dois mil anos continua a envolver as pessoas, a provocar questionamentos, a produzir consequências até o final dos tempos, como o próprio Jesus antecipou.





