O tema é constante: limpeza. Na semana passada, foi a questão das lixeiras. Agora, a questão é outra: calçadas. Ninguém discute que devem ser mantidas limpas, também. Entretanto, há certos procedimentos que devem ser feitos e outros que não são aceitáveis.
Para lavar a calçada diante da Igreja Metodista, na avenida Rio de Janeiro (centro), foi adotada uma medida discutível: cercaram o trecho durante o trabalho. Com isso, as pessoas que passavam pelo local tinham que ir para a rua a fim de passar. Como se sabe, é um trecho movimentado. Muita gente passa ali. O pior é que, ao que se saiba, ninguém tem o direito de cercar trechos públicos, seja qual for o motivo.
Claro que se pode dizer que a medida visava facilitar o trabalho de lavagem e preservar os passantes. Só que acabou criando problemas para muita gente, propiciando uma situação de perigo. O fato de nenhuma pessoa ter sido atingida por algum carro não justifica a ação. O que não pode é alguém resolver limitar áreas públicas, em qualquer circunstância.
O adequado seria que a limpeza fosse feita em horário menos movimentado. E sem atitudes arbitrárias como essa de cercar a calçada. Faltou o mínimo senso por parte de quem resolveu criar dificuldades aos passantes, em nome da limpeza. Urbanidade é isto: respeitar o direito dos outros. É o que se necessita para uma boa convivência social.Barro na pista
A propósito de nota publicada há dias aqui, sobre o barro e a lama na pista da via que leva à UEL, na continuação da Castello Branco, um leitor ligou para contar que por causa disso sofreu um sério acidente ali. Foi durante a noite. Ele dirigia seu carro, um Verona 91, em velocidade moderada. A lama provocou uma derrapagem e o carro acabou parando, de traseira, em uma árvore. Resultado: um enorme prejuízo. O leitor disse que está pensando em ajuizar uma ação contra a Prefeitura.
Esse é um dos detalhes da questão: alguém deve ser responsável pelas vias públicas. Claro que há abusos, que muitas vezes os acidentes ocorrem em função de erros do motorista. Mas quando acontecem devido a falhas técnicas na via ou à má conservação, o cidadão deveria agir para ser ressarcido dos prejuízos. É muito difícil isso funcionar no Brasil; as pessoas preferem perder dinheiro porque sabem que vão ter mais trabalho na defesa dos seus direitos. Mas o senso da cidadania implica que as pessoas defendam seus direitos, buscando os caminhos adequados.
Resta o fato da situação de risco real que existe no trecho, especialmente com as chuvas constantes e o movimento intenso ali. Com algumas poucas medidas seria possível evitar, pelo menos, que mais barro fosse para a pista em dias chuvosos.Rua Humaitá
Ano passado, escrevi muito sobre a rua Humaitá. Uma artéria movimentada, em especial no trecho que vai da Higienópolis até o fundo do vale. São apenas quatro quarteirões, todos muito perigosos. A situação continua a mesma. Foi feita uma sinalização especial, para facilitar a transposição de quem vai para o Colégio Universitário, na subida para a Maringá. Melhorou um pouco. Não reduziu o risco.
Domingo, uma pessoa foi atropelada e morta ali. Pelo que me contaram, a vítima estava embriagada. Não é motivo para a pena de morte! De qualquer modo, uma tragédia que encerrou a vida de um e vai marcar, para sempre, a vida de outros, em especial de quem atropelou.
Não creio que algum semáforo ali teria evitado a tragédia. O pedestre, às vezes, em especial se bebeu um pouco demais, age de modo algo inesperado. O motorista, por vezes, não pode evitar atingi-lo. Não se trata, aqui, de buscar culpas, de responsabilizar quem morreu ou quem atropelou, mas de tentar chamar a atenção para os riscos do trânsito e o perigo específico da rua Humaitá.
Leitores insistem em pedir semáforos naquela rua, pelo menos na esquina com a Paranaguá. Sei que isso não evitaria o acidente de domingo, que aconteceu duas quadras abaixo. Todavia, é certo que tornaria um pouco menos perigoso o cruzamento. Humilhação
A leitora Adriana Lúcia escreve para contar uma humilhação de que foi vítima ao buscar o atendimento de emergência da Clínica Odontológica da UEL, na rua Pernambuco (centro). Ela narrou, na carta, todo seu drama, que começou no ano passado. Quebrou um dente, procurou socorro na Clínica Odontológica da Unopar, ‘‘que atende a população sem fazer distinção de cor, credo ou situação financeira. Recebi um atendimento de primeiríssima qualidade no final do ano passado’’.
Como o tratamento é demorado e já era final do ano letivo, foi preciso esperar vaga para o início deste ano. ‘‘Por causa da grande procura pelo ótimo atendimento da Unopar, ainda não consegui vaga’’, explica. Daí o problema: Adriana teve mais um pedacinho do dente quebrado enquanto escovava os dentes no último domingo. Procurou a clínica da UEL.
Depois de longa espera, foi atendida por um profissional ‘‘de origem japonesa’’. Ela explica que só dá este detalhe porque não conseguiu saber o nome do atendente, apesar de perguntar à recepcionista, depois. E foi o tal profissional quem a humilhou com comentários. ‘‘Ele disse que não entendia como uma pessoa pode ficar com um dente ‘podre’ (o que não é o meu caso, já que estou em tratamento) para depois tomar uma providência. Contei novamente a história e ele retrucou: ‘‘Não acredito que a senhora não possa pagar um tratamento’’.
E termina assim a carta: ‘‘Quando saí da sala, duas lágrimas rolaram dos meus olhos, de vergonha e indignação’’.

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