Praça Londrina (Estelio Feldman)
Um saudosista (será que em uma cidade com apenas 64 anos a gente já pode chamar alguém assim?) veio me procurar para lamentar o que considera situação de abandono do Cine Ouro Verde. Lembra dos tempos em que aquele era o principal cinema da Cidade, ponto de encontro dos jovens, verdadeiro desfile de beleza nas sessões das 8 da noite, aos domingos, com a sala de espera lotada. Hoje, o mais antigo dos cinemas de Londrina em funcionamento, lamenta o leitor, está quase esquecido como casa de espetáculos cinematográficos. Pior, lembra o não tão velho leitor, o público atualmente sequer pensa no Ouro Verde como uma opção para ir ao cinema.
A gente sabe que o Ouro Verde, hoje, não é mais exclusivamente cinema. Serve de palco para numerosas outras manifestações culturais, é a principal sala para eventos como os festivais de Música e de Teatro, oferece concertos e muitas outras atrações. Restam poucos dias, no ano, para mostrar filmes. Entretanto - como ponderou o leitor e até concordo - nestes poucos dias em que funciona como cinema, também tem sido meio esquecido. A programação, dizem, artística, não atrai muita gente. Penso, porém, que não é só isto. Creio até que há público para os filmes que o Ouro Verde programa. O que parece estar faltando é uma divulgação mais ampla, uma disposição de valorizar o local como cinema. Lixeiras
Há alguns dias, divulguei a idéia de um leitor que contou o drama que viveu em um coletivo urbano, com um copinho na mão e sem ter onde jogá-lo. Por causa disto, ele sugeriu que se instalassem lixeiras nos ônibus - mais úteis, segundo ele, que os telefones que há algum tempo se colocou em alguns deles.
Pois é, uma pequena leitora, a Aline, tem uma reclamação mais concreta: ela nem sequer pensa nos ônibus, o que pediu mesmo foi a instalação de mais lixeiras na Cidade. Viveu o mesmo drama do leitor do ônibus: comprou um doce, saiu pela rua comendo e, no fim, não tinha onde jogar fora o papel usado. Bem que procurou, mas simplesmente não havia qualquer lugar adequado para isto. Resultado: acabou jogando o lixo na rua.
Se a gente observar bem vai ver que a reclamação procede. Há algumas lixeiras na área bem central da Cidade, no Calçadão e nas adjacências. Mas, fora dali, mesmo no chamado quadrilátero central, não há recipientes para o lixo. E a instalação de lixeiras por vários pontos da Cidade não vai sequer onerar o município. Trata-se do tipo de serviço que pode ser terceirizado. Qualquer empresa se interessaria porque há a possibilidade de cobrir o custo, e ter lucro, com o uso de publicidade. Assim, sem despesa, a Prefeitura pode ajudar a manter limpa a Cidade - desejo e objetivo de todos nós.E o presente?
Não sei se foi a Rede Globo quem inventou, mas agora a coisa se tornou geral. Por toda parte só se ouve dizer que faltam tantos dias para a Copa ou para os 500 anos do Brasil ou para as eleições ou para o ano 2000. Logo, logo, alguém vai lembrar que o século acaba é no último dia do ano 2000 e o milênio novo, assim, terá início no 1º de janeiro de 2001, o que levará ao lançamento de mais um faltam tantos dias...
Tanta expectativa em relação a eventos futuros, ainda que tão importantes quanto as eleições ou tão envolventes quanto a Copa do Mundo, produz uma inevitável pergunta: e o agora, como fica? De repente, parece, estamos todos sendo postos diante de eventos futuros, como se nada mais fosse tão importante. Claro que deve ser uma beleza a festa de entrada do ano 2000, talvez ainda seja maior a que celebre o novo milênio, e sem dúvida festejar os 500 anos da Descoberta é uma idéia muito boa. Mas falta tanto tempo para isto e muita coisa vai acontecer até lá.
Um amigo me disse que, em seu entendimento, o futuro não existe. Lembrou até um velho ditado espanhol que diz que o amanhã é o hoje que você tanto temia ontem. Profundo. É certo, porém, que a gente não vive no amanhã, mas no agora. Por que estão querendo nos envolver nestas esperas? Para esquecer a dureza dos dias que correm?Caminhos da arte





