Praça Londrina
Estelio Feldman

Dorico da SilvaPedintesSós ou acompanhados, menores em um ‘trabalho’ discutível: esmolarPedintes nas ruas
São crianças, quase sempre mal vestidas, e com um refrão já conhecido: Dá um trocadinho! Eles estão por vários pontos da cidade, nos cruzamentos mais movimentados de trânsito, diante de bares, padarias, casas de carne. Uma situação triste que, para muitos, é resolvida da maneira mais simples: dando o trocado.
Isto, porém, não resolve coisa alguma. Comenta-se tanto a lei, diz-se que criança não deve trabalhar, que lugar de criança é na escola, o que é certo. Pedir esmola, é um trabalho? Sob certo ponto de vista, é. Rende até mais do que vender jornais, entregar folhetos nas ruas, até do que ser guardinha da Zona Azul. Mais grave é saber que por trás de cada criança pedinte há um adulto sem vergonha, aproveitador, verdadeiramente criminoso. Dizer que as esmolas ajudam mães desamparadas ou famílias desestruturadas não justifica. Inclusive porque pedir vicia! Quem vai querer trabalhar se sente que pode ganhar mais só usando a piedade coletiva?
Penso que é importante dar atenção também ao que o fotógrafo, que flagrou os menores pedindo na esquina da Pernambuco com JK, observou: os menores fugiam dele. Por quê? Normalmente, uma criança não faria isto, a não ser que estivesse orientada por ‘alguém’. As entidades responsáveis pelo atendimento às crianças, em Londrina, talvez devessem dar mais atenção a tudo isso.Perigo
Gente que vai para a UEL de automóvel reclama da situação da pista no trecho que é um prolongamento da avenida Castello Branco. Com as chuvas da época a pista se enche de lama, tornando-se escorregadia e altamente perigosa. O mais sério, segundo dizem, é a impressão de que a situação não decorre só das chuvas mas de falta de cuidados e de defeitos estruturais. A lama escorre, ponderam, por falta de cuidado no setor próximo ao pontilhão sob a rodovia. E a impressão é a de que a pista foi mal feita, não facilitando o escoamento da água.
Aparentemente, há defeitos estruturais. Como porém não se nota qualquer tipo de iniciativa visando atender o perigo, a situação fica por conta dos que trafegam ali. E no caso há um problema adicional: a velocidade ali, um trecho com duas mãos, é elevada. Não raro se observam ultrapassagens perigosas. Quer dizer, pista escorregadia e perigosa e abuso na velocidade acabam sendo fatores que aumentam os riscos.
Curiosamente, o índice de acidentes graves ali parece baixo, em relação ao volume de carros e ao abuso de alguns. É certo porém que seria desejável mais cuidado, principalmente nesta época, para evitar acidentes que podem ter graves consequências.1º de Abril
Atenção, amanhã é 1º de Abril. O aviso não é para que a gente lembre que já terminou o primeiro trimestre deste 1998, mas para adotar as devidas cautelas para o tradicional ‘dia da mentira’. Atualmente, sabe-se, não é tão grande a preocupação com isto. No passado, as brincadeiras da data eram de grande porte. Lembro até que a Rádio Panamericana, de São Paulo, no fim dos anos 50, ‘transmitiu’ um jogo inteirinho de futebol, que, segundo informava, estava se realizando no Exterior. Um time brasileiro levava tremenda goleada. Depois de fazer sofrer a torcida por 90 minutos (e mais 15 de intervalo), a informação: não tinha havido jogo nenhum, era apenas um ‘1º de Abril’. No dia seguinte, a ‘Gazeta Esportiva’ trazia página inteira para comentar a brincadeira.
Era um tempo diferente, sem dúvida. Mas, ainda agora, há quem goste de fazer brincadeiras no 1º de abril. Embora, eu pense, a data tenha ficado muito comprometida entre nós em 64, quando aconteceu o golpe militar. Os golpistas, aliás, insistiam em festejar a data na véspera, 31 de março, por motivos óbvios. Mas para muitos, o que aconteceu naquele 1964 deu a sensação de um tremendo ‘1º de abril’, um pesadelo que durou 21 anos.Vicente Rijo
Realiza-se amanhã, a partir das 20 horas, no Colégio Estadual Vicente Rijo, a inauguração do Centro de Memória e História Professor Olympio Luiz Westphalen. Tudo adequado: uma das mais tradicionais escolas de Londrina preservando sua memória e o nome do centro dado em homenagem a um dos grandes mestres do estabelecimento.
A vantagem de a gente viver em uma cidade nova é ter a alegria de participar de muitas de suas realizações. Como ex-aluno do Vicente Rijo, bem à época em que ganhou este nome (antes era o Colégio Estadual de Londrina), vivi muitas das lutas do estabelecimento. Mais, ainda, fui aluno do professor Olympio, como de tantos outros fantásticos educadores que passaram por aquela escola. A memória do Vicente Rijo, penso, é a memória de um grande número de londrinenses que se formou ali e que, hoje, participa - aqui e lá fora - deste grande trabalho que é construir um Brasil melhor.
O Vicente Rijo, como outras escolas desta Londrina, tem muita história. O que, penso, também explica o crescimento desta terra que teve como base seus grandes e competentes estabelecimentos de ensino. E, naturalmente, seus fantásticos mestres, nomes queridos na memória londrinense, dos quais o professor Olympio é um exemplo.

mockup