Praça Londrina (Estelio Feldman)
Praça Londrina
Estelio Feldman
Luta contra a Aids
Arquivo/SercomtelAtitudeO Grupo Sercomvida, da Sercomtel. Uma ação humana e eficiente
Tem quem diga que no passado não tinha disto. Também há os moralistas que afirmam que isto é doença dos imorais. Já cheguei a ouvir gente muito religiosa garantindo que é o castigo de Deus aos que desobedecem Seus mandamentos. Essas e muitas outras expressões, modos de ver e comentar a Aids apenas evidenciam desconhecimento ou, o que é pior, preconceito.
No passado havia coisa pior. Só que naquela época existiam coisas de que não se falava. Sexo era uma delas. Tabu. As doenças sexualmente transmissíveis existiam mas ninguém comentava. Matavam, como a sífilis, acabavam com a vida de muitos, mas as pessoas não as discutiam. Naquela época, como agora, as doenças sexualmente transmissíveis também se propagavam de outras formas. É o que ocorre, hoje, com a Aids. Só 10% dos portadores do vírus HIV são homossexuais. E o mal não se tramsmite, apenas, pelo sexo: também atinge os que usam drogas injetáveis. Mas se transmite também em transfusões de sangue (e, por causa disso, perdemos este ano o querido Betinho). Há inclusive casos em que a doença passa de mãe para filho na gravidez, mesmo que a mãe tenha sido infectada em relações heterossexuais ou devido à transfusão de sangue. São vítimas inocentes que, seguramente, não teriam por que ser castigadas por Deus.Seriedade
Muitos ponderam que existem, no mundo, outras doenças e outros problemas igualmente sérios. Não contesto. Entretanto, isso não exclui a valor da luta contra a Aids. No mundo, hoje, existem 30 milhões de pessoas convivendo com esse mal. Do total, 1 milhão são crianças. E há ainda 5 milhões de órfãos em virtude da Aids. Do modo como a síndrome se propaga, acredita-se que até o ano 2000 o total de crianças infectadas vai triplicar no planeta.
Há doenças igualmente sérias. Mas a Aids ainda é incurável. E constitui hoje um dos grandes problemas sócio-políticos do mundo por atingir, principalmente, a população economicamente ativa, na faixa etária dos 19 aos 49 anos.
A gente pode enfrentar e vencer a fome, pode vencer a poliomielite (como o Brasil está fazendo). Para vencer a fome, é preciso dar comida. Para acabar com a pólio, é preciso vacinar. Mas a Aids não tem cura, mesmo com os recentes avanços da medicina em garantir melhor qualidade de vida para as pessoas infectadas.
A Aids está se transmitindo por muitos meios, não só entre os homossexuais (que, afinal, são seres humanos) ou no meio de quem usa drogas. Enfrentá-la exige que se fale dela, que se oriente as pessoas, e que haja, principalmente, um espírito de compreensão e apoio aos que são portadores do vírus.Crianças
Existe uma coisa que detesto: é ler um livro ou ver um filme em que crianças são vítimas de violência. Na vida real, porém, não se pode fugir a isto. A Aids é mais que uma doença, é uma violência. E, conforme revela a coordenadora do Programa Sercomvida-Sercomtel, Anilda de Souza, o Brasil tem hoje 1.744 crianças com Aids (isto, naturalmente, de modo oficial), sendo que 75% receberam o vírus da mãe. As mulheres são infectadas no seu principal período de reprodução, entre os 15 e os 39 anos, e podem transmitir o vírus ao feto pela placenta, na hora do parto, ou ao filho, durante a amamentação.
Não se pode ficar insensível diante da situação, vendo milhares de crianças, em todo o mundo, morrendo em consequência da Aids. Na verdade, não se pode ficar insensível diante da tragédia que atinge a todos, crianças e adultos. No fim, são todos vítimas, e isso não depende da forma pela qual contraíram o vírus.
A única maneira de se enfrentar esta situação, que interessa a todos, pelo seu enorme alcance, é com coragem, com conscientização, com todo o esforço visando dar a todos orientação. É imperioso também que nos empenhemos em dar às vítimas da AIDS o apoio que merecem, sem preconceitos e com amor.Dia Mundial
Amanhã, 1º de dezembro, é o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Um verdadeiro chamado à reflexão sobre toda a questão. Em Londrina, como em todo o País e pelo mundo, muitas manifestações estão programadas, começando inclusive hoje e tendo sequência amanhã.
Amanhã, entre outras atividades, o grupo Sercomvida, da Sercomtel, vai estar no Calçadão, mostrando as atividades realizadas ao longo de seus 3 anos e meio de existência. O objetivo desta presença é despertar a sociedade e as empresas sobre toda a situação. Anilda de Souza, coordenadora do programa, revela inclusive que o resultado de trabalhos dentro da empresa, tanto na prevença quanto no apoio, é altamente positivo, sob todos os aspectos.
No estande que o Sercomvida vai montar, também serão dadas informações sobre a Aids e as formas de preveni-la. Para quem estiver interessado também serão oferecidas instruções detalhadas sobre como montar programas semelhantes aos do Sercomvida nas empresas.
Penso que todos os empresários deveriam seguir o exemplo da diretoria da Sercomtel, que dá todo o mais amplo apoio ao programa, entendendo seu alcance e importância. Uma contribuição da maior importância em uma luta pela vida, que deve ser, naturalmente, a batalha de todas as pessoas.





