A gente acompanha os debates, concorda até com a teoria: criança não deve trabalhar, tem é que estudar e brincar. Acontece que teorizar é fácil. A realidade é mais complicada. Não precisamos nem sequer chegar à miséria, basta citar a pobreza: famílias grandes necessitam da participação, no orçamento doméstico, do trabalho das crianças. Como conciliar isso com a correta ponderação sobre o fato de que as crianças deveriam poder estudar, brincar, aprender a vida antes de começar a lutar por ela?
Há muitos programas, o governo tem até oferecido dinheiro às famílias para que as crianças deixem o trabalho e estudem. Há também o outro lado, a criminosa exploração do trabalho infantil, o uso de crianças em atividades até perigosas. Sem dúvida, é preciso enfrentar este desafio. Mas é tarefa muito difícil.
E que dizer, então, das crianças de rua, abandonadas à própria sorte? Esmolam, são exploradas, sua escola é a rua, seus professores são marginais, na maioria antigos meninos de rua, também, que só podem ensinar o que aprenderam, a dura e terrível luta pela sobrevivência.
O desafio é imenso, e penso que será preciso mais do que discursos bonitos. É necessária uma dose grande de vontade e coragem para dar às crianças o que merecem, a fim de que se tornem adultos conscientes e capazes.Segurança
Nem precisa ler o noticiário para perceber como as coisas estão feias em termos de segurança, entre nós. Na verdade, não é só aqui, como constatei com reportagem que li, ontem, no caderno de Cidades: a manchete informa que uma ‘‘onda de violência e assassinatos atinge Curitiba’’. Ocorre que isso não consola nem ajuda. Gostaria que todas as cidades fossem seguras. Mas quero que a nossa cidade tenha segurança.
A propósito, li também informações sobre os debates que estão se realizando sobre a proposta, prevista em emenda constitucional, de municipalização da segurança pública. Atualmente, como creio que todos sabem, segurança é assunto do Estado. Municipalizar pode ser uma solução?
É bom discutir bastante o assunto. Inclusive chamo a atenção para um detalhe: nos últimos tempos, uma série de atribuições do Estado e também do Governo Federal foi repassada aos municípios. A idéia tem base. O problema porém é que passam encargos para os municípios, mas não repassam recursos. E, com isso, o que pode acontecer é tornar o problema ainda pior. Penso que as lideranças municipais precisam ficar atentas, oferecer sugestões e exigir soluções. O que interessa é que a população tenha segurança.Qualidade
Todo mundo está discutindo qualidade. É uma exigência do momento, nesta época em que a concorrência é um negócio muito sério e a competência se faz necessária em todos os setores. Empresas buscam, com afinco, o certificado de Qualidade Total, que indica um novo patamar, que representa uma garantia.
Contudo, como ponderou em conversa comigo dona Sílvia, uma leitora, parece que está faltando alguma coisa nesta busca relativa à qualidade ao menos, segundo ela entende, no que diz respeito à valorização humana. Contou ela que se aprofundou bastante no tema, assistiu seminários e percebeu que em outros países, Japão principalmente, o conceito é colocado de modo diferente: existe, assinala a leitora, uma preocupação com o trabalhador. A empresa que busca a qualidade cuida primeiro do aperfeiçoamento interno, de oferecer boas condições de trabalho ao funcionário, de dar salários condizentes, de treiná-lo e exercitá-lo para que seja melhor, oferecendo porém compensações práticas.
Já entre nós, diz ela, a impressão é a de que a preocupação com qualidade passa ao largo do funcionário, do trabalhador. Isso, segundo seu entendimento, é falho. A leitora diz: ‘‘A qualidade deve começar dentro da empresa, com valorização do pessoal’’.Desvio para a UEL

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