Praça Londrina (Estelio Feldman)
O Brasil vive, permanentemente, lutando contra o analfabetismo. Até agora, continua perdendo a briga. Penso que o melhor modo de acabar com o analfabetismo seria fechar a torneira. O que significa: alfabetizar as crianças. Porque os analfabetos adultos que temos hoje já foram crianças, já tiveram 7 anos e não puderam, por muitos motivos, estudar.
Esta semana, as escolas públicas do Estado estão abrindo matrículas para a primeira série do primeiro grau. Todas as crianças que completam 7 anos este ano devem ser matriculadas. E precisa ter vaga.
O Governo estadual garante: não haverá filas, existirão vagas. É o que se necessita. Não estou dizendo que se deva parar de alfabetizar adultos, mas entendo que se houver um trabalho sério, se der escola às crianças na época certa, em alguns anos teremos superado o analfabetismo.
Tudo parece estar indo bem, há campanhas, as autoridades se mostram preocupadas e dispostas a resolver o problema. A gente tem é de esperar que os pais busquem a vaga e que o Estado ou o município garantam. Até porque, com as dificuldades que estão aumentando, muita gente não está podendo pagar escola particular, o que aumentará a demanda pela escola pública. O que aumenta a responsabilidade das autoridades ligadas à educação.Queixa
Profundamente revoltada, uma leitora procurou a Praça para se queixar do atendimento obtido em uma farmácia que procurou apenas para pagar a conta do telefone. Vocês sabem, atualmente, água, luz, telefone, entre outros, podem ser pagos em estabelecimentos comerciais, o que é bom para o usuário e também para o comércio. Não sei se eles recebem alguma coisa pelo serviço, mas só o serviço prestado atrai. O usuário que entra para pagar uma conta pode se tornar cliente.
Só que a referida leitora conta que chegou na farmácia, em que já havia pago outra conta, para pagar a conta do telefone. Esperou pelo menos 5 minutos pela balconista, o que a incomodou mas foi aceito como coisa mais ou menos normal. Daí, quando a balconista chegou, ela perguntou se podia pagar a conta telefônica ali. Recebeu como resposta um redondo não. Eu - conta a leitora - atônita, até porque a conta vencia naquele dia, acabei repetindo a pergunta. A funcionária voltou a responder com a mesma má vontade. Não queria que ela me atendesse com sorrisos, mas o mínimo de boa educação não faz mal a ninguém. A farmácia com certeza perdeu uma cliente. Não volto mais lá e sugiro que as pessoas que se sintam maltratadas façam o mesmo: boicotem.Pelo telefone
Se tem coisa que me irrita profundamente é ver que transformaram o telefone em uma loteria. Pelo telefone você pode ficar milionário, segundo se conclui diante da avalanche que as emissoras de TV jogam sobre a gente. Você pode ganhar um montão de carros, eletrodomésticos, casas e muito dinheiro.
Curioso é que tudo isto acontece em um país em que o jogo é proibido! Proibido, mais aceito. Na novela das 8, da Globo, tem um personagem cuja função é fazer jogo do bicho, que é, ainda, contravenção. Mas fora da novela, você é assaltado por dezenas de sugestões para telefonar e ganhar.
Discutir isto produz, em mim, uma divisão. Ocorre que o meu amor à liberdade me impede de pedir que as autoridades atentem para isto e acabem com tal tipo de agressão. Segundo penso, cada um de nós deve ser um fiscal. Eu pessoalmente não disco para nenhuma das teleloterias. E falo em casa para que não o façam, porque considero abusivo, criminoso mesmo. Mas sei que é difícil evitar que uma criança fique ligando o dia inteiro, diante do forte apelo e da idéia de que pode ganhar tudo bastando telefonar.
Alguém ganha, é o que me dizem. Claro. Mas o jogo, em si, é pernicioso. Para que alguém ganhe 200 mil, quantos milhares estarão pagando!Integração científica





