Praça Londrina (Estelio Feldman)
Bom ver que Londrina tem memória. A homenagem feita na última sexta-feira a Horácio Coimbra fala por si. Nesta terra de tantos e tão bravos pioneiros, construída mesmo graças à coragem, disposição, valentia e trabalho de muitos, a figura de Horácio Coimbra se destacou de modo fulgurante.
Ele chegou a Londrina em 1948, depois das primeiras levas de pioneiros. Mas provou, pelo menos, duas coisas: que a era do pioneirismo não se esgotou nos primeiros anos e que a vontade e a coragem de pessoas empreendedoras fazem delas pioneiras em quaisquer circunstâncias.
Viver em uma terra nova como esta Londrina de todos nós tem muitas vantagens. Uma delas é que podemos ser também pioneiros, o que sem dúvida é difícil, mas não impossível. A outra é que a gente tem a oportunidade de conviver com pioneiros, de conhecê-los.
Horácio Coimbra esteve entre nós, foi um de nós, viveu e lutou por aqui, plantou trabalho, trouxe dinamismo, abriu caminhos, como só os verdadeiros pioneiros podem fazer.
É justo homenageá-lo, como se fez anteontem, mas penso que isto é pouco. Precisamos ir além, é necessário que se faça uma divulgação maior sobre gente como Horácio Sabino Coimbra. Penso que nas nossas escolas deveria ser contada a história da vida e do trabalho desses nossos pioneiros que são exemplo e estímulo.Lembranças
Como tenho repetido muitas vezes, uma das poucas vantagens de se ter uma certa idade é o fato de a gente ter podido ser testemunha de acontecimentos que, para muitos, são apenas história. Estive presente à inauguração da Companhia Cacique de Café Solúvel, obra fantástica de muitos pioneiros, entre os quais avultava Horácio Coimbra.
Antes mesmo da inauguração da Cacique, formávamos, eu e o então radialista Antonio Belinati, um tipo de empresa de publicidade. E fizemos juntos um trabalho de divulgação da Cacique. Era uma entrevista, de Aroldo Sardenberg, outro grande londrinense e pioneiro, na TV Coroados, que também havia iniciado suas atividades há pouco, e uma reportagem de página inteira, na Folha. Foi uma excelente oportunidade para conhecer melhor a Cacique, muito bem aproveitada tanto por mim quanto pelo meu parceiro. Aroldo Sardenberg, com a gentileza que sempre o marcou, abriu-nos as portas da Cacique, permitiu que conhecêssemos, em primeira mão, o que se fazia, os projetos, as projeções.
A entrevista na TV foi tão interessante que, inclusive, ultrapassou o tempo determinado. Na época, porém, isto não provocou maiores problemas, pois a programação da TV era mais maleável que hoje.Trabalho
O que é marcante quando se lê o relato da vida de Horácio Coimbra é o trabalho. Ele foi uma pessoa ativa, empreendedora, que só parou quando, em novembro de 93, com 70 anos, o coração deixou de bater. Morreu em plena atividade, com a energia e o dinamismo que foram sua marca.
E esta é outra lição deixada por ele e por tantos outros pioneiros. Quando você toma conhecimento da vida deles, percebe isto como fator dominante: eles trabalharam sempre, com coragem e disposição. Pena é que tenhamos, ainda, poucas informações sobre estas pessoas.
Lembro o livro de Domingos Pelegrini Junior sobre a vida de Celso Garcia Cid, um documento de fundamental importância para que se perceba o estofo de que são feitos os heróis, os pioneiros, aqueles que realmente construíram alguma coisa. Não tem nada de especial, a não ser a vontade inquebrantável, a disposição de enfrentar obstáculos, sem medo.
Foi isto o que fez Londrina e todo este Norte do Paraná. Creio, mesmo, que a História dos povos, dos países, das cidades, se resume sempre na história das pessoas.
Londrina pode contar, em seus pouco mais de 60 anos de História, com pessoas realmente notáveis que merecem todas as nossas homenagens.Tempos fantásticos





