Para mim, o Dia do Professor, hoje, 15 de outubro, deveria ser festejado com o carinho do Dia das Mães e com o respeito do Dia da Pátria. Verdade pura, sem demagogia. Na minha galeria de pessoas inesquecíveis ao longo desta vida que se aproxima dos 60 verões, professores e professoras figuram em lugar de destaque. Lá estão desde a inesquecível dona Leonor, professora que me ensinou a escrever, a ler, até a falar, há mais de 50 anos (época em que a maioria dos meus queridos leitores sequer era nascida) até os juízes, promotores e advogados que davam aulas na Faculdade Estadual de Direito de Londrina, há 30 anos.
Estes dias, mesmo, cruzei com o dr. Severiano Alves Pereira, ex-secretário municipal. Cumprimentei-o como o tenho feito desde que ele me deu aulas, na FEDL: Bom dia, professor. Nunca mais, também, chamei o dr. Milton Meneses de outro nome que não como professor, assim como seu irmão, dr. Edgar. A relação que se estabelece entre aluno e professor é única. Claro, tem gente que não sente assim, talvez porque não pense muito nisto. Mas quando se medita sobre a vida e a respeito daquelas pessoas que de fato influiram sobre nós, é mais que certo que haverá sempre a marca de muitos professores ao longo de nossa existência.
Neste dia, falam a emoção e o carinho. Sabemos que, neste nosso Brasil, os professores não têm o reconhecimento e o prestígio que merecem. Por isto também é que ainda somos um pobre país à procura de seu destino.Memórias locais
Sempre que falo sobre professores, cito os de São Paulo, o que se explica: quase toda minha vida escolar aconteceu lá. Por aqui, só estudei, fora a Faculdade, um ano e meio no Estadual (hoje Vicente Rijo). Todavia, neste curto período, ficaram algumas fortes recordações. Na verdade, a primeira professora que conheci aqui foi dona Margarida Lisboa, que deu aulas à minha irmã. Depois, tive a alegria de ser aluno de dona Lúcia Lisboa, do professor Mário, de dona Elza, do professor Moacir, de dona Iguassuina, esposa de outro grande professor, Carlos Zewe Coimbra, pai do Carlito, colega de classe.
E também de dona Yolanda que veio de Curitiba ensinar matemática e física, do professor Giuseppe, que lecionava química e que chamávamos carinhosamente de ‘Butano’, do Paulo Kalovini, uma grande alma, dos professores Manoel Barros e Olímpio.
O Estadual teve - e continua a ter - grandes professores, mestres fantásticos, personagens marcantes. No tempo que estudei lá, dr. Lauro Gomes da Veiga Pessoa era o diretor, educador fantástico que encontrei de novo, depois, na Faculdade. Lembro do dia em que acordamos toda a rua Sergipe, com a fanfarra do Estadual tocando alvorada diante da casa do professor Lauro, no dia de seu aniversário. E quando cito a fanfarra, naturalmente, tenho de lembrar do professor Reinaldo Ramon, até hoje emprestando sua vocação à nossa Universidade.A homenagem
Esta Londrina de tantos contrastes oferece uma surpresa marcante na homenagem que fez a um professor. Interessante é perceber que poucos estádios de futebol - ou de outros esportes - conseguem ser identificados pelo nome que recebem. Mas é exatamente o que acontece aqui. Todo mundo conhece o Estádio Vitorino Gonçalves Dias. Por vezes a gente nem fala Estádio, só diz ‘Vitorino’, ou carinhosamente o chama de Vegedê!
Vitorino Gonçalves Dias foi um professor. Não o conheci. Quando cheguei, ele já havia morrido, já era mesmo nome do estádio. Mas alguns de meus colegas, entre os quais o Elias Aborihan, me falaram sobre aquele professor que morreu tão jovem mas conseguiu deixar uma profunda marca entre os que foram seus alunos, que atingiu de tal modo a Cidade que ela lhe prestou uma homenagem permanente, ao dar seu nome ao estádio que, mesmo agora, com o imponente Estádio do Café, continua a ser muito querido pela população.
A homenagem que Londrina prestou ao professor Vitorino Gonçalves Dias, que também tem prestado a outros mestres, cujos nomes são lembrados em ruas, praças e tantos outros pontos públicos, define a própria alma de uma cidade. Feliz a terra que presta homenagem a seus professores, que não os esquece, que os honra. Feliz a terra que tem professores como Londrina, que ajudaram e continuam ajudando a forjar uma civilização melhor, um futuro mais promissor.Minha contribuição

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