Diante dos comentários que têm sido veiculados sobre a intenção de se reabrir a rua Piauí, no local que é, agora, o Zerinho, a vereadora Elza Correia (sem partido) veio até a Praça para oferecer alguns esclarecimentos a respeito. Revelou que está em tramitação, na Câmara, projeto assinado pelo vereador Flávio Vedoato (PTB), com apoio de outros membros do Legislativo, determinando, sem quaisquer outras análises, a reabertura da rua. Uma decisão, digamos assim, um pouco abusiva.
A Comissão de Meio Ambiente, da qual Elza é vice-presidente, deu parecer contrário ao projeto. A vereadora revelou, também, que o Ippul, em parecer a respeito da iniciativa, pondera que antes de se adotar uma decisão o ideal seria a realização de uma pesquisa técnica sobre as vantagens e desvantagens da medida. E sugere, inclusive, uma consulta à população.
Claro que tem vereador que diz que não precisa consultar ninguém porque ele foi eleito e, então, sabe melhor do que todo mundo o que é bom para o povo. O que, convenhamos, não é uma postura muito democrática.
A vereadora Elza Correia conta que tem mantido contato com a população, tem conversado com os usuários do Zerinho e considera absurda a idéia de se reabrir a rua, lembrando os aspectos ecológicos e históricos a respeito do local.
Também já existe abaixo-assinado contra a reabertura. Inclusive tem um aqui na Praça, que recebeu muitas assinaturas. Até agora, não encontrei ninguém (fora, claro, o sr. Vedoato) favorável à idéia.Centavos
O comentário que fiz aqui, esta semana, sobre a importância dos centavos, provocou uma reação, via Internet, do leitor Alamir Corrêa, que mora em Edmonton, no Canadá. Conta ele: ‘‘Lá é comum haver, junto ao Caixa, uma caixinha aberta com moedinhas de um centavo e um sinal avisa: ‘Take a penny, leave a penny’ (tome um centavo, deixe um centavo). Todos respeitam e fazem uso, deixando e levando centavos. Os caixas jamais oferecem algo no valor de um troco (que sempre tem um lucro embutido). Afinal, não é pão-durismo querer o que é seu, seja no valor de 1 real ou de 1 centavo. Não se deve pagar nada a menos (o comerciante tem inúmeros custos e ridícula margem de lucro), mas deixar a mais para o caixa ou para o trocador é ‘um bom negócio’’ para quem? Temos de mudar de mentalidade, não só pelo mundo politicamente correto, mas também porque a nobreza que despreza as migalhas já desapareceu há tempos. Não se pode jogar comida fora, nem diminuir os centavos que temos... De grão em grão a galinha enche o papo, já diziam nossos avós’’.
É isso aí. Os antigos também diziam que a gente devia cuidar dos centavos que os reais (adaptação para os tempos atuais - falava-se em cruzeiros na época) cuidarão de si. Segundo o último levantamento, a inflação do mês passado foi negativa. Se você vai ao mercado, se faz compras, pode perceber. Um refrigerante, que eu deixei de comprar porque foi de R$ 1,20 a R$ 1,99, estava sendo vendido a R$ 0,99 na última semana. Como diriam os que fazem propaganda do Governo: isto é real.R$ 3,00
A nota de ontem sobre o que é que a gente pode fazer com R$ 3,00 rendeu muito. Um bocado de amigos veio me falar sobre o que é que pode ser feito (e o que fazem) com R$ 3,00. Um, que vende salgados para o pessoal da Redação, foi enfático: ‘‘Dá para comprar 3 salgados, caprichados’’. O que, sem dúvida, vale quase uma refeição. Já outro foi além: informou que com R$ 3,00 é possível comprar duas cartelas para telefones públicos, com 50 telefonemas cada o que, segundo ele disse (depois de ter feito cálculos) daria para falar ao telefone por 6 horas e meia. Já uma outra leitora falou que com R$ 3,00 aluga um filme na locadora perto de sua casa e recebe ainda um real de troco, o que dá para comprar pipocas e refresco, para ver o filme. Um colega falou que compra, com aquela quantia, leite e pão, e sobra troco.
O mais importante em tudo isso, do meu modo de ver, é a valorização do dinheiro, que é fundamental. Toda esta história a respeito dos R$ 3,00 começou, vocês se lembram, por causa da propaganda que diz que com aquela quantia a gente só pode comprar um sonho (a loteria que a TV oferece).
Sonhar é bom, sem dúvida, mas o sonho verdadeiro não custa nada. E o melhor sonho não é o de ter sorte e ganhar uma fortuna na loteria, embora, claro, isso não faça mal nenhum para ninguém. Depois, a gente não pode esquecer que isso é ilusão: realiza-se para algumas pessoas, não para todos os que jogam. O sonho que dá certo para toda a gente é ver a nossa economia estável, o nosso dinheiro valorizado, o trabalho garantido, a valorização da dignidade de cada um. Não é sonho, é a luta que vale realmente a pena.

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