Praça Londrina (Estelio Feldman)
O apóstolo Paulo provou aos seus companheiros de missão, todos judeus, naturalmente, que os gentios haviam assimilado a mensagem de Jesus com um simples fato: conseguiu deles que enviassem ajuda aos cristãos de Jerusalém, que enfrentavam muitas dificuldades.
O cristianismo, entre tantas outras coisas, ensinou aos homens a caridade. Estamos falando, claro, de outros tempos. Quando o cristianismo surgiu, o mundo era diferente. A maioria dos homens acreditava em muitos deuses, todos voltados para o atendimento de assuntos materiais e pessoais. Há 2 mil anos, caridade era uma coisa quase desconhecida, praticada pelos judeus, conforme suas leis, mas não observada pelos pagãos. Ajudar o próximo, sem interesse, preocupar-se com os menos afortunados, cuidar dos doentes (aí incluindo os portadores de qualquer tipo de deficiência) isto era uma coisa que os pagãos não seguiam. Não estou dizendo que os judeus eram melhores que os pagãos, mas só lembrando que nas leis judaicas havia (e ainda há) normas relativas à caridade, tanto com os irmãos da fé como em relação aos demais.
E quando Paulo mostrou que os pagãos que aceitavam a Cristo estavam, também, fazendo caridade, entendendo a mensagem mais plena de Jesus, abriu o caminho para que acabassem as divisões, aceitando os apóstolos, principalmente Pedro, a conversão dos gentios sem exigir deles a adesão às mais rígidas normas judaicas. Foi a caridade que mostrou que, de fato, os homens haviam entendido e aceitado Jesus.Dificuldades
Parece tão fácil. O Brasil é um país de absoluta maioria cristã. São cristãos os governantes, na quase totalidade. Dizem que o nosso atual presidente perdeu uma eleição para prefeito porque deixou transparecer que não acreditava em Deus. Pecado capital! Agora, ele tem fé.
Pois é, como já disse o grande líder indiano, Ghandi: se todos os que se dizem cristãos praticassem o cristianismo, o mundo seria um paraíso.
Acontece que não é bem assim. E o que a gente vê é sofrimento, miséria, fome, doença. Quando Jesus disse pobres vocês sempre vão ter, não quis com isto afirmar que a miséria era boa. Pobreza é uma coisa. Miséria é outra. E se há tanta carência, hoje, como Ele também o disse, é devido à dureza de nosso coração.
Somos cristãos, sem dúvida. Pelo menos é o que afirmamos. Naturalmente, porém, muitos de nós não passariam pelo teste simples do apóstolo Paulo, aquele da caridade. Que é, como também o disse o apóstolo dos gentios, a maior de todas as virtudes, a que vai prevalecer sempre. Daí a gente diz que caridade é amor e afirma que ama aos parentes, amigos, membros de nossa Igreja, e tudo bem. Só que Jesus já falou disto também, quando ponderou que amar ao amigo o gentio também ama, que a grande coisa é amar o inimigo. E a coisa maior, ainda, é provar este amor por gestos, atitudes, doação, entrega. Não é exatamente muito fácil, não, mas ninguém disse que viver é fácil.Um grupo de gente
Padre Zezinho canta em uma de suas músicas, todas elas tão inspiradas: Mas eis que um grupo de gente, compreendeu Suas palavras e com elas se solidarizou. Um grupo de gente que faz, que de fato é cristã, que luta, que sente a dor dos menos afortunados e de fato procura fazer alguma coisa. Não dar esmolas na rua, não dar um pedaço de pão (embora isto também seja bom), mas lutar, mesmo, para atender, para ajudar. É gente que não dá esmola, dá amor, trabalha pelos carentes, vai buscá-los no seu sofrimento e trabalha para dar-lhes amparo, apoio, vida.
A gente os conhece. Eles, graças a Deus, são muitos também aqui em Londrina. Por vezes nós, da imprensa, até os consideramos irritantes porque nos pedem espaço, divulgação, apoio. Mas, assim como ajudam os carentes, com seu trabalho, ajudam a nós, jornalistas porque nos forçam a fazer alguma coisa também.
E eles fundam creches para que as mães pobres tenham onde deixar os filhos, criam lares para menores sem família, asilos para velhos que não têm família ou cuja família os esqueceu, dão socorro aos viciados, levam comida aos que estão na rua, tiram da rua os velhos e doentes, para que não morram de frio, vão à cadeia para dar socorro material e moral, amparo também, aos presos. São cristãos, mesmo que não o sejam por religião, porque ser cristão, penso, é ser efetivamente solidário com os irmãos.Enormes obstáculos





