Praça Londrina (Estélio Feldman)
Justamente agora, quando se discute a questão das tarifas telefônicas, que tiveram alta devido a uma recomposição de preços, acabo de tomar conhecimento de uma inovação curiosa, na Europa: chamadas telefônicas grátis! Parece inacreditável, mas é verdadeiro. E não tem nada de milagroso como também não se trata de algum tipo de paternalismo ou protecionismo.
A idéia é simples: publicidade! Anúncios comerciais antes e, conforme o tempo de conversação, durante as ligações. Quer dizer, os usuários terão de ouvir, antes de começar a falar, uma mensagem publicitária que irá se repetir em intervalos regulares. Naturalmente, pode ser um desconforto. Parece novela ou filme na TV: no melhor da conversa, uma interrupção.
A inovação chegou à Alemanha mas já não é novidade, segundo a agência de notícias que mandou a informação. Projetos semelhantes já estão em operação na Itália e na Suécia. Os analistas acreditam que a inovação é apenas uma amostra do futuro, quando os serviços de telecomunicações do continente forem abertos totalmente à competição.
Na Itália, já há um sistema que oferece ligações grátis em três cidades do norte do país. Os usuários da companhia italiana ouvem três anúncios, de 3 a 5 segundos cada, antes que sua chamada seja completada. A conversa é depois interrompida a cada 100 segundos por novo intervalo com publicidade. Em troca, ganham 15 minutos de ligação gratuita para chamadas locais e um desconto de 30% em ligações interurbanas. Um incômodo que vale a pena.Menores
Leitores, preocupados, me procuram para dizer que está aumentando, assustadoramente, o total de crianças cheirando cola pelas ruas da Cidade. Não apresentam números, mas ponderam que, no caso, nem é preciso: a observação pessoal, dizem (e eu concordo), é suficiente. Na verdade, existe um tipo do que se poderia chamar de amostragem pela percepção. Quando, de repente, você começa a ver mais garotos, em locais diversos, cheirando cola, coisa que não se observava há algum tempo com tal frequência, é porque a coisa está de fato atingindo níveis perigosos.
O que é fácil perceber, também, é o aumento de menores nas ruas, não só cheirando cola mas pedindo esmolas. Não creio que a solução para isto sejam arrastões da polícia. Mas entendo que deixar tudo como está é que não se pode aceitar, também. Ademais, entendo que é preciso fazer uma análise profunda a respeito, tendo em vista que durante muito tempo, há alguns meses, a questão parecia estar equacionada. Não se viam menores pelas ruas, pedindo esmola; havia menor número deles perambulando. Hoje, a coisa está ficando de novo visível.
Alguma coisa que se fazia, não está mais sendo feita. E a gente desconfia que isto esteja ligado à crise da Prefeitura, sem recursos para atender os menores como se fazia antes. Entretanto, é certo que a situação não pode persistir.Pedágio
Vi na TV a notícia segundo a qual uma cidade inglesa lançou a idéia que tem provocado confusão na cidade fictícia de Greenville, da novela das 8 da Globo: o pedágio. O motorista paga 2 libras para entrar na área central. Claro que lá a iniciativa não visa formar caixa para futuras campanhas, como na novela, mas o que ressalta é perceber a preocupação com o aumento no volume de veículos - ainda mais diante da poluição - e o esforço para desestimular o uso do carro, mexendo na parte mais sensível da pessoa, o bolso.
Pois é, o aumento no volume de veículos particulares em circulação é um problema global. Cobrar pedágio pode ser a solução, caso haja, como ocorre na referida cidade, uma opção, o transporte coletivo disponível, funcionando bem, juntamente com áreas para estacionamento. O motorista vai até o terminal, deixa o carro lá e se dirige ao centro num coletivo confortável e mais barato. Não paga pedágio, economiza combustível e diminui o desgaste do carro.
Sem pretender que se adote por aqui algo tão drástico quanto o pedágio, é fora de dúvida que já passou do tempo de se pensar em alternativas racionais para o trânsito, entre as quais a diminuição do uso do veículo particular. Claro, isto reclama melhoria no transporte coletivo urbano ou um tipo de cooperação entre as pessoas. Grande parte dos carros circula com uma pessoa. Se houvesse racionalidade, seria possível mudar esta situação.Xadrez na UEL





