Meio ressabiado, um amigo veio contar a aventura que enfrentou, semana passada, na Souza Naves. Depois de elogiar a mudança na rua, que ficou melhor para trafegar com a proibição de estacionamento do lado esquerdo, contou que estava andando em velocidade maior que a usual pela rua, à noite, quando, no meio do quarteirão, do lado da Santa Casa, foi surpreendido por um enorme cachorro que atravessou a rua.
‘Se não tivesse conseguido parar - conta - o cachorro teria se machucado muito e o carro estragaria bem, porque o animal era enorme. E apareceu assim, de repente, sei lá de onde’.
Pois é, um cachorrão no meio da rua pode ser tão perigoso quanto uma vaca no meio da estrada. Ou quanto um cavalo que, creiam, vi uma noite destas, pastando traquilamente no canteiro central da Higienópolis, diante do Iate Clube. Há algum tempo, recebi - e publiquei - informações sobre cavalos passeando sossegadamente por alguns bairros da periferia. Mas assim quase na área central, na Higienopólis, não via há tempos. Para ser exato, só me lembro disto da época em que cheguei por aqui, há uns 40 anos.
O trânsito de Londrina já está suficientemente complicado e perigoso, mesmo sem a presença de outros bichos além dos que dirigem feito loucos pelas ruas da Cidade. Penso que os responsáveis pelos animais devem cuidar melhor deles e que as autoridades precisam se ocupar dos bichos sem dono, um perigo a mais no trânsito.Betinho
Estamos muito, mas muito mais pobres. Betinho se foi e deixou um vazio imenso. ‘Ele fazia diferença’, disse um jovem diante da notícia da morte do homem que não pensou no sofrimento pessoal, na tragédia da própria vida condenada pela incúria humana, e se lançou à luta para ajudar os outros, a imensa massa desvalida dos famintos no País. Betinho, sem dúvida, fez a diferença. Mostrou uma grandeza ímpar, uma postura fantástica, ganhou mais que a admiração, o respeito total dos brasileiros. Uma unanimidade nacional, um ser de muita força, de muita luz, de enorme coragem e despreendimento.
Minha mãe dizia que no mundo, segundo a crença dos judeus, existem 36 justos, espalhados por toda parte. Eles dão o equilíbrio cósmico ao planeta. Penso que Betinho era um desses, um justo, um fantástico ser que provocou uma intensa luminosidade por onde passou. Vai-se agora e deixa o vazio. Ficaram, claro, o exemplo, a lição, o trabalho, a dedicação. E o Brasil bem que precisa que outros assumam o bastão. Betinho vai fazer falta, mas nós temos que prestar-lhe a homenagem certa que é a de não deixar a bandeira cair, de prosseguir na luta que ele começou.
A batalha contra a fome e a miséria não terminou. E vai continuar porque esta é, inegavelmente, a única homenagem que Betinho poderia querer: a continunidade do trabalho que realizou.Pai
Quando Fábio Júnior cantou ‘Pai’, no programa de domingo do Fausto Silva, chamei minha mulher e ficamos, lado a lado, ouvindo. Eu pensando no meu pai, ela no dela. E nos emocionamos, como aconteceu com muita gente.
Uma pessoa, muito amiga, comentava comigo que não gostava do dia dos pais exatamente por isto: é viúva e a data fazia seus filhos sofrerem muito. Também falou que sentia muito pelos filhos de pais separados.
Ora, a lei natural da vida é esta: os pais se vão. Nem por isto dia dos pais, como o das mães, há de ser mais triste. Meus pais, como o pai de minha mulher, estão hoje mais perto de nós que sempre. Estão ao alcance de uma oração, de um pensamento. Posso me emocionar nessas datas, mas não pensar que não deveriam existir. Ao contrário, oferecem uma ocasião para a gente lembrar deles, e especificamente.
Já em relação aos filhos de casais separados, não creio que haja problema. Casamentos, como qualquer tipo de união entre seres humanos, podem acabar. Mas a relação pais/filhos não acaba. Já ouvi dizer que esposa (como marido) não é parente. Mas filho é outra coisa. Separado ou não, o ser humano é pai ou mãe, sempre.
Claro, é melhor estar com eles ao lado. Mas lembrá-los, quando já se foram, ou estar ao seu lado, mesmo que sem o outro responsável pela nossa formação, é igualmente bom.Cena de rua

mockup