Arquivo FolhaFlagranteEstão por aí, buscando uma resposta para suas próprias vidasEram duas meninas. Uma maiorzinha, 9, talvez 10 anos. A outra, aparentemente, pela casa dos 7. A menor, ativa, andando de lá para cá, na calçada do Zerinho, abordava todo mundo que passava com o tradicional ‘tio, dá um trocado’. A outra, só olhando. De repente, saiu em desabalada carreira.
Lá adiante, já na descida da rua São Paulo, ela atingiu o ‘alvo’: uma senhora, cabelos brancos, o tipo perfeito de uma avó. A abordagem foi rápida e certeira. Não sei se a menina usou o tradicional ‘tia’ ou se, mais esperta, chamou de ‘vó’. Seja o que for, teve sucesso. A senhora parou, abriu a bolsa, tirou o porta-níqueis e deu algum trocado à menina, que voltou feliz da vida.
Não dá para pensar que será difícil, quando aquelas meninas crescerem, que aceitem algum tipo de trabalho para ganhar 120 reais por mês. De moeda em moeda, é muito provável que consigam mais que isto, esmolando. Pensar que depois vão se conformar com salário baixo e muito trabalho. Naturalmente, a partir de certa idade, não poderão mais pedir esmola. A não ser, claro, que ‘consigam’ um nenê para carregar junto a fim de sensibilizar os outros com a cena tão pungente da mãe desamparada. E vão criar, sem dúvida, outros pedintes, numa sequência que não tem fim.
O trocado que os ‘tios’ dão, agora, para descargo de consciência, continua a ser, no meu modo de ver, a semente ruim que só vai fazer crescer a mendicância e o sofrimento.Tíquete
Um companheiro aqui da Redação mandou-me um bilhete fazendo ponderações a respeito da questão dos menores e sobre a discussão relativa à troca da moeda por um tíquete que as pessoas dariam e que serviria para que as crianças o utilizassem para comprar coisas de comer. O colega informou que ele próprio, quando solicitado pelos pedintes, entrega um dos tíquetes-refeição que recebe aqui mesmo do jornal. E diz que, infelizmente, muitos comerciantes não deixam as crianças entrar, para comprar refeição com o tíquete.
Pois é, temos aí um outro problema: tem gente que fica com medo dos menores. Paranóia? Não sei. Sozinhos, eles provocam pena. Juntos, efetivamente, em alguns casos, chegam mesmo a assustar. E o comerciante não vai saber, quando um deles aparece, se está com tíquete ou dinheiro. E se quer comprar alguma coisa ou se vai pedir esmola aos clientes ou fazer algo pior ali. É uma atitude preconceituosa, mas existem fatos que mostram que o medo também se justifica.
O que parece, mesmo, vital é que o problema seja aprofundado e que se busquem soluções mais concretas que as da esmola na rua, da moeda ou do tíquete que se possa dar. Claro que, se uma pessoa tem fome, é desumano não lhe dar algo para comer. Mas a verdade é que criar uma multidão no hábito de esmolar não vai produzir nada de bom no futuro, nem para os pedintes e menos ainda para a sociedade.Canadá e os Jogos
A propósito de comentário aqui feito sobre a ausência do Canadá Country Clube dos Jogos de Inverno Intersociedades, realizados em Londrina mês passado, recebo do professor Reynaldo Ramon, presidente do clube, carta em que explica as razões da ausência. Antes de o fazer, o titular do CCC aproveita a ocasião para enviar seus cumprimentos aos organizadores pelo sucesso dos Jogos.
Explica depois que a diretoria e o conselho do clube, num esforço conjunto, optaram como prioridade pela ‘revitalização total do clube’, ao tempo em que continuam a renegociar dívidas assumidas desde 1992.
Paralelamente, o professor Reynaldo Ramon indica que, em relação aos Jogos, percebe a necessidade de mudança, inclusive em relação àquilo que foi citado na Praça, o fato de ser ‘a única competição que dá vez aos sócios’. O presidente do Canadá ponderá que, hoje, para competir, ‘se gasta muito com não sócios’.
‘Equipes de um clube jogam por outros, sem cerimônia, porque o regulamento permite’, afirma, e completa: ‘Não somos contra os Jogos mas questionamos a maneira como estão sendo disputados que foge, inclusive, de sua finalidade que seria proporcionar atividades aos associados no mês de julho, o que foi a idéia básica de seu idealizador’.
É bom ver que a diretoria do CCC se preocupa em dar uma satisfação ao público e em especial a seus sócios.Vestibular

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