A propósito do verdadeiro alerta aqui feito sobre o abuso que é cometido contra os consumidores, na falta de troco, especialmente para a cobrança de mercadorias que são oferecidas a preços que tem 99 centavos no final, um leitor ponderou que enfrentou uma situação destas, há dias, e que não teve coragem de reclamar. Revelou que, no mesmo dia em que havia lido o comentário, esteve numa loja e comprou uma carteira por R$ 7,99. Deu 10 reais para pagar, recebeu 2 reais de troco. Faltou um centavo.
‘‘Fiquei com vergonha de pedir o centavo’’, disse ele. ‘‘Acho até que nem teria pensado no assunto, não fosse ter lido o comentário da Praça.’’ O problema, na verdade, é o da vergonha. Nós ainda temos vergonha de exigir que nossos direitos sejam respeitados. E o problema não é o do valor da coisa, mas da questão em si. O antigo ditado, segundo o qual a gente deve cuidar dos centavos que os reais vão cuidar de si, é válido. Mas nós temos vergonha.
As coisas já melhoraram um pouco. Já há mais pessoas pedindo um desconto, quando fazem compras, já há quem discuta quando percebe que está sendo lesado. Mas no caso do centavo, realmente, a coisa parece mesmo mais difícil. Afinal, o que é que a gente pode fazer com um centavo? Penso que nem mendigo aceitaria de bom grado um centavo de esmola.
Entretanto, há uma mentira implícita, quando alguém diz que vende alguma coisa por R$ 1,99 e não tem troco para dois reais. E, eu penso, a gente não deve ter vergonha de reclamar o que é direito.E os pedestres?
Normalmente, rotatórias, como a que vai ser feita na Praça Willie Davis, destinam-se a resolver o problema do fluxo de veículos. Mas o local, sabe-se, tem enorme presença de pedestres. E muitos leitores vieram pedir que levantasse a questão para saber como é que vai ficar a situação no local. Será que os pedestres vão ter de competir com os carros, para passar por ali?
Trata-se de preocupação mais do que justa. A área central, inclusive com o Calçadão, deve privilegiar o pedestre, até em termos de interesse econômico. De fato, para o comércio, é muito importante a facilidade que se oferece ao cliente em potencial de chegar ao estabelecimento. Assim, por mais que haja preocupação com o fluxo do tráfego, também não se pode esquecer as pessoas em suas necessidades de conforto e segurança.
Há algum tempo, inclusive, comentei aqui as peripécias de um pedestre que pretendesse passar, com maior segurança, da calçada que há diante da Biblioteca para a que existe defronte da Caixa Econômica. Para não correr riscos, o pedestre tem que fazer um longo percurso, porque os semáforos da área são exclusivamente dedicados ao fluxo de automóveis.
É necessário, em qualquer tipo de planejamento de trânsito, pensar nos pedestres, também. No caso da rotatória, ainda mais bem na entrada do Calçadão, isto ainda parece mais importante.Aulas
Na maioria das escolas, as aulas recomeçaram na segunda-feira. Isto significa, entre outras coisas, mais crianças nas ruas e mais veículos também. Quanto aos carros, a gente já sabe que vão se repetir aquelas cenas tradicionais com automóveis parados em fila dupla diante das escolas, mais congestionamentos nos pontos já conhecidos, tudo atestando não só a falta de espaço mas, também, de educação dos motoristas. Insisto: o filho que vai ou volta da escola e vê pai ou mãe desrespeitando as mais simples leis de trânsito está tendo uma ‘aula’ adicional de mal comportamento que vai acompanhá-lo pela vida afora.
Mas é com as crianças que não são apanhadas nas portas das escolas que a gente se preocupa mais. As que atravessam a rua, correndo perigo porque há malucos à solta, as que andam muitos quarteirões até a escola. É isto o que preocupa e assusta. Anteontem, fiquei apavorado com a notícia do desaparecimento de uma criança. Felizmente, a menina foi encontrada, estava mesmo só perdida, já está com a mãe. Mas isto assusta. Como assusta, também, o perigo para as crianças que vão e voltam das escolas, atravessando ruas, enfrentando os malucos do trânsito e os outros ainda mais perigosos que existem por aí.
Nunca é demais pedir aos motoristas que tomem um pouco mais de cuidado perto de escolas.Tíquete para menores

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