Arquivo FolhaReceita de sucessoLivros: tesouro permanente à disposição de quem os resolva lerSempre que alguém me pede orientação no sentido de escrever melhor (e isto acontece com certa frequência), apresento uma receita imediata: leia. Existem muitas coisas que podem ser ensinadas para quem quer redigir melhor, mas entendo que o principal é ler. Lendo, a gente aprende a escrever. O que, aliás, é apenas parte do todo já que ler não serve apenas para aprimorar a escrita mas leva as pessoas a mundos inimagináveis.
Para mim, ler é uma coisa vital. Leio sempre e muito. Quando era garoto, mergulhava como um louco no ‘Tesouro da Juventude’ que tinha na casa de meus tios, até que minha tia disse que eu, de tanto ler, podia ficar bobo. Vai ver, ela estava certa.
Quando entrei no Grupo Escolar (o primeiro grau da época) tornei-me frequentador da biblioteca da escola. Fiz o mesmo no ginásio (os últimos 4 anos do primeiro grau). E quando se inaugurou uma Biblioteca Circulante no Ipiranga, onde morava, em São Paulo, fui dos primeiros sócios. Na verdade, devo às bibliotecas grande parte do que já li. Sem elas, menino pobre, jovem pobre, adulto pobre, talvez não tivesse lido tanto.
Naturalmente, não fui ler para melhorar minha redação. Nem pensava nisto. O que descobri desde logo foi a confirmação do que alguns dizem sobre os livros: são verdadeiros tesouros, sempre disponíveis. A maravilha e o encanto estão lá. É só a gente mergulhar e encontrá-los, tesouros que nos enriquecem, que nos conduzem a uma nova dimensão. Tesouros que servem para toda a vida.Encanto
Foi por causa de um livro que acabei tomando coragem e editando o que eu próprio havia escrito, um mini-romance chamado ‘Tempo Bom’. Foi assim: um dia, na Redação, vi um livro chamado ‘O retrato de Jenny’, de um autor totalmente desconhecido para mim. Mas na capa havia um apelo: tradução de Érico Veríssimo. Peguei, li a ‘orelha’, vi a data da publicação (pelos anos 30) e mergulhei. Repentinamente, entrei num mundo de encanto puro, uma ficção maravilhosa, uma história deliciosa. Quando terminei, pensei agradecido no autor de que nunca tinha ouvido falar. Pensei que 50 anos antes ele tinha escrito uma história que atravessou o mundo e chegou aqui para encantar alguém que nem existia quando o livro saiu. Daí que ponderei que talvez devesse deixar também um livro e que se alguém, um dia, se encantasse assim, teria valido a pena.
Assim como naquele caso, tenho deparado com surpresas sem conta. Um dia destes, na Biblioteca local, encontrei um livro chamado ‘Caça aos turistas’, de Carl Hiaasen, publicado em 1986. Nunca tinha ouvido falar no autor, mas a capa e a ‘orelha’ me atraíram. Mergulhei numa história policial muito bem feita, com personagens estranhos e adoráveis, travando conhecimento assim com um autor que sabe encantar. E há tantos milhares de outros textos encantadores nas estantes, à espera de um explorador em busca de tesouros!Policiais
Voltando ao princípio, se a pessoa que pede orientação para melhor escrever solicita indicações de livros, eu de imediato sugiro livros policiais. No passado, mais ou menos recente, literatura policial era considerada marginal. Isto mudou, felizmente. Mas, independente dos conceitos, o que ocorre é que o autor policial é direto, objetivo, claro. E é por isto que quando você lê um livro policial, vai ganhando conhecimento no sentido de escrever melhor.
Claro que há centenas de autores, alguns melhores, outros piores. Para mim, gosto tanto de Erle Stanley Garner, o criador de Perry Mason, quando de Rex Stout, o ‘pai’ de Nero Wolfe, ou de Edgar Wallace, inglês como a dama do crime, Aghata Christie. Cada um tem seu estilo e até mesmo o autor das aventuras de Shell Scott, um detetive não muito ortodoxo, oferece não só campo de aprendizado mas entretenimento. No fim, uma coisa se une à outra para fazer da leitura não só a aula de redação mas o mergulho no mundo de encantamento que ensina, enriquece, completa a pessoa.
Numa linha um pouco mais complexa que os policiais, encontramos os livros de espionagem, outro veio fantástico a levar os leitores para novos encantos. E até mesmo os fabricantes de best sellers, como Irving Wallace, têm alguma coisa a oferecer em termos de ensinamento e de diversão a quem mergulha em seus livros.Tempo para ler

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