Os 22.588 candidatos inscritos para começar, hoje, a disputa de uma vaga na UEL correm atrás de um sonho. É a tentativa de conseguir um lugar em um curso que, em tese, vai lhes dar melhores possibilidades para vencer na vida. Ilusão? Sem dúvida. Mas é certo que, se para quem consegue a vaga e conclui o curso as dificuldades são muitas, os que não passam por esta ‘porta estreita’ ainda ficam em pior situação. O Brasil não tem ofercido muitas opções a seus jovens.
Desde que começam a estudar, sabem que têm uma alternativa: chegar ao curso superior, sem o que terão maiores dificuldades. E desde o começo se percebe o afunilamento. Há alguns anos, de mil que começavam o primeiro grau, só um chegava a conquistar um diploma de nível superior. Atualmente, informam, a situação é um pouco melhor. Ainda assim, é só ver a disparidade entre o total de candidatos e o de vagas oferecidas para perceber que a dificuldade é imensa.
São apenas 1.415 vagas, o que dá, em média, 16 candidatos para cada lugar oferecido. Naturalmente, a proporção pode ser menor ou maior, conforme o curso. De qualquer modo, já a partir desta visão global dos números, pode-se perceber a complexidade da tarefa enfrentada pelos candidatos. Não por outro motivo muitos jovens acabam estressados antes dos 20 anos. A busca do sonho acaba se convertendo em um interminável pesadelo para a esmagadora maioria dos candidatos.Repetição
Sempre que há vestibular, o tema retorna. Infelizmente, porém, tão logo as provas acabam, os resultados são divulgados e toda a festa dos poucos aprovados termina, a questão volta ao esquecimento. Nos últimos tempos, a educação de modo geral tem merecido maior atenção. Anunciam-se novos currículos, mais adequados, dizem, à realidade. O segundo grau está na mira dos responsáveis, que preparam novidades. A esperança de que o ensino vai melhorar, retorna. Entretanto, não parece haver uma real perspectiva de que se altere a realidade atual da tremenda injustiça que é retratada pelo vestibular.
Na verdade, pelo menos uma das novidades anunciadas causa mais preocupação que entusiasmo. Indica-se que, a partir da nova reforma, os estudantes vão ter que definir o rumo de suas aspirações tão logo ingressem no segundo grau. Se já é complicado para um jovem de 16, 17 ou 18 anos fazer a escolha de um curso superior, quando termina o segundo grau, que dizer então de colocar a decisão para quem tem 13, 14 ou 15 anos?
É certo que o jovem pode mudar seu rumo, depois. Mas esta obrigação de escolher quando sequer sabe o que é a vida que está vivendo constitui mais um tipo de pressão que se pode considerar extremamente desnecessária. Injustiça
Há um fato que parece tremendamente importante diante desta situação em que os jovens são colocados no vestibular: é a injustiça do processo. Os candidatos não são avaliados pelo que sabem. Enfrentam uma competição desigual. O correto seria que houvesse nota mínima para aprovação, o que, sem dúvida, constituiria uma avaliação adequada. Algo como o que acontece ao longo dos cursos de primeiro e segundo grau: se o aluno tem média, passa.
Isto não é possível agora (é o que tem sido afirmado há décadas) porque as vagas são em número inferior à procura. Então, persiste o sistema de classificação. Se há só 40 vagas, mesmo que 300, 500 ou mil candidatos conquistem médias elevadas, ainda assim ficam fora. E, como o próprio processo de exame também é discutível, tem-se que muitos alunos melhor capacitados acabam ficando de fora.
Não se vai resolver isto, naturalmente, apenas aumentando aleatoriamente o número de escolas de nível superior e o oferecimento de vagas. Mesmo porque, falta nesta questão a análise sobre a necessidade de profissionais. Muitos dos que conseguiram vencer o desafio, ganharam uma vaga no curso superior, descobriram que o diploma não garante o futuro róseo que sonhavam.

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