Praça Londrina (Estelio Feldman)
Foi um anúncio que vi que despertou memórias. Mais especificamente o nome de um estabelecimento: Glória Funaro. Antes, muito antes de ser nome de uma loja, foi o nome de uma das grandes nadadoras que Londrina revelou para o Brasil. Lembro que até se fez uma brincadeira na imprensa, ponderando que a jovem nadadora era uma glória de Londrina.
Glória Funaro, junto com Liliam Moreira e Rosa Maikuma (se é que a memória não me trai), foram uma espécie de trio de ouro na natação londrinense. Numa época em que Londrina tinha muita fama pelo café, pela mística, o destaque esportivo era ainda esporádico. A explosão das 3 jovens, que conquistaram títulos, representaram o Brasil em muitas competições internacionais, foi uma novidade na terra que parecia voltada só para o trabalho.
Penso que o principal responsável por isto foi Luiz Jorge Moreira, pai de Lilian e treinador de enorme competência. Revelou muitos jovens valores, tanto na natação feminina quanto masculina. Por causa de seu trabalho, Londrina criou até uma tradição na natação. Tradição que acaba esquecida, também. Foi bom ouvir o nome de Glória Funaro. Fez lembrar aquele segmento do programa Video Show que pergunta onde anda esta ou aquela figura do passado. Glória Funaro a gente já sabe. E onde andam Liliam Moreira, Rosa Maikuma e tantos outros nomes que tanto orgulharam os londrinenses no passado recente?Pioneirismo
Época curiosa aquela em que explodiram para as piscinas do Brasil as jovens Glória e Lilian. O esporte não era tão cultuado, nem por aqui nem no País. O esporte amador (amador mesmo) era uma coisa mais da criançada ou da juventude. Entretanto - e apesar das dificuldades, do pouco incentivo -, os valores surgiam. Não só na natação feminina. Tivemos também grandes e bons nadadores, como João Brauko, Jorge Calixto, Vicente Jannuzi Neto (que também jogou basquete e vôlei). Um pouco depois veio Carlos Horst Tokmit, que igualmente jogava basquete - foi inclusive campeão brasileiro de lance livre - e que brilhava também nas piscinas.
Alguns são só saudade, outros estão cuidando da vida, talvez até um pouco esquecidos dos tempos em que brilhavam nas quadras e piscinas e levavam o nome de Londrina a toda parte. Podiam não chegar aos pódios, mas representavam a Cidade com amor e empenho, deixando sempre uma imagem positiva e radiosa.
Quando a gente vê que hoje os nossos atletas são abandonados à própria sorte, é ainda mais importante lembrar aqueles que, no passado, graças quase sempre só à sua disposição e ao apoio de alguns poucos idealistas, deixaram seu nome na História.Disputas
Lembrei do Horst e, naturalmente, as lembranças vão para o basquete e o vôlei de Londrina, que também tiveram uma etapa gloriosa naquele fim dos anos 50. Já contei, até, um feito do professor Reinaldo Ramon, dando vitória a Londrina, nos Jogos Abertos do Interior, em Bauru. Mas houve outras competições, muitos feitos.
E havia, também, muita disputa entre os cartolas. Mas, percebam, não eram como os do futebol de hoje. Eles efetivamente gostavam do esporte. Será porém que alguém lembra do Esmeraldo de Souza, presidente da LEAL (sigla que identificava a Liga de Esportes Atléticos de Londrina)? Foi um batalhador pelo esporte amador.
E havia, também, a Liga Regional de Futebol de Londrina. Lembro de uma disputa acirrada pela presidência da LRFL: dois radialistas, Flávio Toledo e Batista Júnior, que apareceu por aqui como um cometa. A disputa foi tão difícil que os dois empataram. Daí, o Batista Júnior ficou com o cargo, por ser o mais velho. Só muito depois, quando o pequenino Batista se foi - não era de parar muito em parte alguma - é que se descobriu que ele havia conquistado o cargo com uma mentira: não era mais velho que o Flávio.
Era a vontade de ganhar, de efetivamente dar apoio ao esporte.Jogos Abertos do Paraná





