Aniversário com trabalho
Arquivo FolhaENCANTODo alto ou do chão, Londrina encanta com a paisagem que ajudamos a criarNo feriado, dia 8, o comércio funcionou. No dia do aniversário de emancipação política, hoje, tudo funciona. É um modo especial de comemorar: Londrina, cidade que nasceu e cresceu sob o signo do trabalho constante, não pára no dia de seu aniversário.
E é assim que deve ser. Somos herdeiros de uma tradição de luta constante, de coragem, de visão, de ousadia. Nós, londrinenses (todos nós, os que começaram a chegar pelos anos 30 e os que estão chegando agora), somos um povo disposto à luta, que não paramos nem no dia de festa porque sabemos que é preciso ir em frente.
Feriado, nos últimos tempos, só no Jubileu de Ouro, os 50 anos. O que não significou que a cidade parou. Mas a data valia. Quem sabe dentro de 35 anos se faça também um feriado para comemorar o centenário. Até lá, vamos é continuar a abrir caminhos, construir, produzir, trabalhar. Assim homenageamos do melhor modo esta terra e rememoramos a gente que abriu caminhos e construiu esta civilização que é nosso orgulho, até porque cada um tem uma parte neste resultado.
Londrina, aos 65 anos, continua a ser a paixão nossa de todos os dias. É, agora e sempre, a Cidade Menina que encanta e conquista e que merece a nossa homenagem maior de todos os dias: o trabalho.



Memória-1
Quando Londrina completou 48 anos, editei um Caderno Especial para a ‘Folha’ em que entrevistei dois ex-prefeitos, Milton Meneses e Antônio Fernandes Sobrinho, além de rememorar os vereadores das primeiras gestões. Daquele caderno, trago uma pequena parte do depoimento de Milton Meneses, que foi prefeito em dois mandatos.
Em seus dois mandatos ele teve uma preocupação constante: a de se comunicar com o povo, a de dar contas de tudo quanto fazia. ‘‘Durante todo o tempo em que estive na prefeitura – contou – eu tive um contato direto com a população.’’ O então prefeito falava mensalmente ao povo, através da Rádio Londrina. ‘‘Todo dia 12 de cada mês, eu estava lá, falando pela Rádio Londrina.’’ O dia 12 não foi escolhido ao acaso: naquela época, a posse do prefeito era a 12 de dezembro, 2 dias depois do aniversário de Londrina. Então, dia 12 era o marco de cada mês.
O ex-prefeito disse à época: ‘Entendia então, como entendo agora, que era de suma importância manter o povo a par do que se fazia, sem omitir nada’’. E tinha, vale lembrar, grande audiência com seu programa mensal.

Memória-2
Do já citado caderno, trago também um pouco do que disse o ex-prefeito Antonio Fernandes Sobrinho:
‘‘Se eu tivesse de voltar à prefeitura, com o poder para fazer apenas uma lei, eu escolheria aquela que ajustou o calendário agrícola ao escolar.’’ ‘‘Hoje, com a nova realidade agrícola paranaense, a questão não parece grave, o café perdeu muito de sua importância. Naquele tempo, porém, a situação era diferente. O período de trabalho do agricultor não ‘casava’ com o período escolar. A consequência é que as crianças, os filhos dos agricultores, raramente podiam estudar, concluir um ano escolar. Os pais se deslocavam conforme as necessidades da lavoura. As crianças as acompanhavam.’’
‘‘A matéria era regulada pelo governo federal’’ – lembrou. ‘‘Mas às vezes a gente precisa enfrentar as coisas. E nós mudamos o calendário escolar. Já na época os resultados puderam ser sentidos. Aumentou o número das matrículas nas escolas, aumentou o índice de frequência. E 20 anos depois, o secretário de Educação do Estado, Cândido de Oliveira, adotou o mesmo sistema.’’

Memória-3 (vereadores)
Daquele caderno especial, editado em 1992, retiro dados sobre a Câmara Municipal de Londrina. O município nasceu em 1934, a primeira Câmara Municipal de Londrina foi instalada em fevereiro de 1936. Entretanto, esta primeira Câmara funcionou por pouco tempo. Veio o golpe de 1937, a ditadura, e a democracia só voltou após a queda da ditadura getulista. A História, porém, guarda os nomes dos vereadores de 1936: João Wanderley, presidente; Honório Martins Ribeiro, secretário, e João Figueiredo, Serafim de Almeida, Jacinto Antenor Cardoso e Luiz Estrela. Só em dezembro de 1947 é que a Câmara Municipal voltou a funcionar, composta por 15 homens eleitos pelo povo. A primeira Câmara Municipal de Londrina, eleita após a redemocratização, tomou posse a 12 de dezembro de 1947, juntamente com o primeiro prefeito eleito, o sr. Hugo Cabral. Foram eleitos 15 vereadores.
Faziam parte daquela primeira legislatura, que terminou a 12 de dezembro de 1951, Álvaro Godoy, Anibal Veloso de Almeida, Casemiro de Almeida Machado, Euzébio Barbosa de Meneses, Fulgêncio Ferreira Neves, Manoel Jacinto Correa, Mário José Romagnolli, Milton Meneses, Newton Leopoldo da Câmara. Otávio Marques de Siqueira, Raimundo Durães, Renato Cunha, Ulisses Xavier da Silva, Waldmiro Ferreira da Silva e Walter Pereira. Durante a legislatura, assumiram, ainda, os suplentes Edgar Távora, Josino Alves da Rocha Loures, Laurentino Gomes Hubner e Otávio Salles de Almeida.

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