Praça Londrina (Estélio Feldman)
Equívocos sobre o milênio
Ivo AkioA assessoria de Comunicação da Santa Casa, na nota que enviou para anunciar o bazar que vai realizar amanhã, anuncia este como o último que se realiza neste milênio. Só se não pretende fazer nenhum outro no ano que vem. Coisa cansativa ter de repetir que o milênio não acaba no dia 31 de dezembro deste ano. Naquela data, apenas termina o ano de 1999. O século 20 e o segundo milênio terminam no último dia do próximo ano. Naturalmente, isto não impede que se festeje bem o Ano Novo, que é o último deste milênio.
Muita gente, inclusive agências internacionais de notícia, estão entrando na onda equivocada do novo milênio que começaria no dia 31 de dezembro. Um erro. Teremos, ainda, mais 366 dias de século 20, segundo milênio. Curiosa também é a constatação de que o próximo ano será bissexto. É natural, o ano bissexto ocorre a cada 4 anos. Mas quando estudei geografia, há meio século (faz tempo, mas a memória é boa) aprendi que a cada 100 anos, o ano terminado em 2 zeros não era bissexto, para compensar horas ou minutos de diferença na viagem da Terra ao redor do Sol. Pelo visto, segundo inclusive os calendários que já estão sendo distribuídos por ai, 2000, que não é o fim do milênio, será um ano bissexto igual aos outros. Um dia a mais para se viver até chegar ao tão esperado, sonhado e ainda um pouco distante Terceiro Milênio.
Zerão
Dona Louris, que mora pertinho do Zerão, ligou para comentar a nota publicada esta semana a respeito do local, concordando plenamente com a queixa ali formulada. A leitora foi além, informando que o ponto, que deveria ser um local aprazível e oferecer lazer e alegria aos londrinenses, está se convertendo em um inferno, em face do abuso dos que aprontam por lá. E assinala que não é só bebida, mas também existe o pavor implantado pelos que vão de carro até ali, aprontando sem qualquer respeito pela vida alheia. Não é gente pobre que faz isto, não. Pobre não tem F-1000, diz dona Louris.
Como os demais, a leitora reclama da falta de policiamento. E indica que a situação, nos domingos, fica tão drástica que ela, que mora a um quarteirão do Zerão, tem dificuldades para sair de casa de carro. O perigo de trombar com os malucos que ocupam o Zerão é real, assinala.
Além de policiamento, a leitora reclama da falta de ação da Prefeitura na limpeza do local. O mau cheiro por lá está insuportável. Enfim, o Zerão está clamando por socorro antes que se converta, definitivamente, em um local proibido para gente civilizada.
Barragem
Se alguém pensa que só há problemas no Zerão, equivoca-se, como revela a leitora dona Luzia, em e-mail enviado à Praça.
Se o Zerão virou essa bagunça nos fins de semana e ninguém toma providência escreve a leitora na mensagem veja o que acontece diariamente na barragem da Higienópolis, perto do Iate. Estão acabando com os patos, impedindo-os de se reproduzirem. Todos os dias desocupadas e senhoras passam recolhendo os ovos das patas. Como eles não são de ninguém (AMA, Comurb, polícia florestal) temos que assistir a esse episódio sem poder fazer nada.
Esta pergunta implícita sobre de quem são os ovos das patas, lembra uma célebre brincadeira de escola quando se perguntava de quem eram os ovos que uma pata tenha botado na fronteira entre Brasil e Chile. No caso da questão existe a impossibilidade física de vez que o Chile forma, com o Equador, o duo de países que não se limita com o Brasil. Já em relação aos ovos das patas na barragem, o que temos é uma disputa de jurisdição ao contrário: ninguém parece querer responsabilidades sobre assuntos tão delicados.
Luta contra o mal de Parkinson
Células nervosas fetais enxertadas em um paciente afetado pelo mal de Parkinson ainda funcionam dez anos depois de feito o transplante, informaram cientistas suecos, pioneiros nesta terapia ainda experimental, no número de dezembro da revista Nature Neuroscience.
Uma equipe de cientistas de Lund, dirigida pelos professores Anders Bjorklund e Olle Lindvall, estudou, junto com especialistas britânicos, o caso de um paciente de 69 anos, cujo estado melhorou consideravelmente depois de um enxerto de células humanas realizado em 1989 em um só lado do cérebro.
Graças às novas técnicas de tratamento cerebral, os cientistas comprovaram que os neurônios enxertados não somente sobreviveram, mas continuaram produzindo dopamina, a substância cuja falta provoca o mal de Parkinson.
A dopamina continua chegando ao local adequado do cérebro, constataram os médicos.
Estes resultados são animadores, principalmente porque confirmam que as células transplantadas resistem aos mecanismos patológicos que tinham destruído os neurônios produtores de dopamina do enfermo. Embora se baseie em um único caso, o estudo demonstra que os enxertos de células embrionárias podem restaurar a produção de dopamina, comentaram na revista mensal os especialistas britânicos Roger Barker e Stephen Dunnett.





