Praça Londrina (Estélio Feldman)
Cinema no Calçadão
Arquivo FolhaMOVIMENTOCalçadão movimentado, um panorama que deveria ocorrer todos os diasA notícia que foi publicada ontem, sobre a volta do Cine Augustus, provocou muitas (e boas) reações. Gente que lembra do antigo Augustus, imponente, realmente bonito, pessoas mais novas, que não chegaram a conhecer a sala, homens e mulheres, de modo geral todos comentando positivamente.
Uma leitora foi inclusive enfática afirmando que estava mesmo faltando um cinema para dar mais vida ao Calçadão. Concordo, em parte. Realmente entendo que um cinema ali, na área central, um local bonito e aprazível, é uma boa. Entretanto, entendo que isso é apenas parte de um projeto que tem de ser mais amplo, visando a revitalização do centro da cidade. E ouso até antecipar que sem a execução de um projeto completo, o resultado final pode não ser o esperado.
No fim do ano, naturalmente, com o horário especial do comércio, o centro vai se agitar. Ocorre que, pelo que se sabe, o cinema não funciona este ano. E mesmo que isso aconteça, as coisas voltam ao normal apático logo no começo do próximo ano. Isso é o que não deve acontecer. A ocasião é muito propícia para se retomar o debate e se buscar alternativas o que inclui horário mais flexível para o comércio a fim de devolver ao centro (e não só ao Calçadão) sua condição aglutinadora com comércio dinâmico e muitas outras atrações. O cinema é uma delas, mas é preciso pensar grande e agir rápido para que ele seja parte de um todo que devolva ao centro sua aura e atração.
Preconceito
Conheci um bio-médico que mora em Londrina. Durante anos, foi professor da PUC, em Campinas. Tem não só o diploma mas uma imensidão de cursos. Em dado momento, resolveu transferir-se para a iniciativa privada, o que parecia, e era na época, uma boa idéia. Ocorre que a crise mundial, que atingiu tanta gente, também o apanhou. Agora, como é velho (tem 44 anos!), não consegue voltar ao magistério superior. Com todos os títulos, conseguiu um trabalho de representante comercial, com um parente.
Outro caso de um velho (45 anos!). Trabalhava na Sercomtel, aceitou um plano de demissão voluntária. Recebeu uma quantia suficiente para comprar uma casa, pagar as dívidas. Agora, está há 4 meses sem trabalho, embora tenha preparo técnico. Está velho para o mercado. O perigo é que acabe tendo de vender a casa, o sonho de uma vida, para conseguir manter a família.
Dois casos, entre tantos que existem por ai. O desemprego é grave, os mais velhos (!) sofrem mais. Talvez esteja na hora de lançar outra campanha contra o desemprego e, paralelamente, o preconceito.
Frio de outubro
Tempo maluco, o dos últimos dias. Chuva, frio, tudo completamente atípico para outubro. Uma leitora até reclamou: deve ir a um casamento no sábado, fez roupa para o calor e, agora, teme passar frio.
Este, naturalmente, é nosso assunto para a Elisiê Peixoto. Outra coisa, porém, causou impacto. Uma noite destas, fria, um cidadão bateu em casa pedindo alguma coisa para agasalhar suas filhas. Pois é, tem gente passando frio, em pleno outubro. As campanhas de agasalho já ficaram longe, mas o frio resolveu voltar. Junto com chuva forte que está destelhando casas, deixando pessoas em situação muito difícil.
Os problemas sociais, efetivamente, não respeitam estação do ano. As pessoas passam fome o ano inteiro, apesar das campanhas e das entidades que tentam ajudar os mais carentes. E, agora, também começam a passar frio, em pleno outubro, já na vigência do horário de verão.
Fome e frio, uma dupla apavorante que está atingindo muita gente nesta Londrina solidária e ainda cheia de problemas, reclamando mais ação para socorrer as vítimas da miséria.
Carência de iodo, problema sério
A carência de iodo na dieta dos brasileiros está provocando, especialmente entre os menores e os adolescentes, uma incidência alarmante de deficiências mentais, problemas para a prendizagem ou bócio. Em uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde entre 1994 e 1995, divulgada pelo Correio Braziliense, de 179 mil estudantes examinados em 428 municípios de todo o país, 59 mil apresentavam uma deficiência de iodo e, entre eles, um subgrupo de 9 mil estudantes sofria uma carência aguda desta substância no organismo.
Embora as manifestações mais alarmantes ainda não sejam observadas, as consequências aparecerão no futuro, advertiu a endocrinóloga Denise Franco, da Fundação Hospitalar do Distrito Federal, responsável por um programa que estuda os efeitos da falta de iodo no organismo. É inaceitável que haja carência de iodo em qualquer nação civilizada, acentua.
O problema é particularmente grave nos menores de cinco anos, já que seus organismos ainda estão em formação, correndo grandes riscos de sofrer algum tipo de deficiência mental. Há cidades e povoados onde o problema é endêmico. Dos 32 alunos de uma escola em Ventura, cinco são deficientes mentais, dois surdo-mudos e os demais têm dificuldades para aprender. Tudo leva a crer que as causas têm de ser buscadas na falta de iodo na alimentação.





