Praça Londrina (Estélio Feldman)
Luta pela sobrevivência
Josoé de CarvalhoESPAÇOA rolinha encontrou espaço na planta de um apartamento, em LondrinaO jornalista Edilson Moura foi quem trouxe a foto da rolinha que fez um ninho na planta de uma janela do apartamento onde ele reside. E comentou: ou tem pouca árvore ou rolinha demais em Londrina.
O que tem, mesmo, é a dificuldade cada vez maior para a sobrevivência não só dos seres humanos mas, também, dos outros seres vivos. Pode-se ver, e por vezes até publicamos fotos, vegetais lutando pela vida no meio das pedras, crescendo em muros, aproveitando o mínimo de terra. Quanto aos pássaros, já foram documentados ninhos construídos até em semáforos.
Nossos irmãos de vida, na Terra, lutam como podem para conseguir se manter. Enfrentam não só os elementos, a natureza, mas, e principalmente, a própria ação predadora do ser humano, este rei da criação que não se mostra muito consciente desta realeza, nem dá mostras de sentir que tem obrigações para com os outros seres vivos.
Londrina tem muitas árvores, ainda, mas é certo que não está oferecendo as melhores condições para a vida de aves, animais e até das próprias plantas. Então, estes seres que se tornam aninda mais ameaçados pela nossa falta de educação, fazem o que podem para viver. Quando dão sorte de encontrar um lugarzinho aprazivel, como o da casa do Edilson, ainda sobrevivem. Outros acabam por ai, vítimas não da luta normal pela existência mas da falta de consciência dos donos do mundo.
Bueiros
Semana passada publiquei aqui, com foto, a notícia sobre a atitude do proprietário da Casa de Massas Munhoz que, depois de pedir por 2 anos à Prefeitura para limpar o bueiro que existe diante do estabelecimento, decidiu contratar uma pessoa e mandar fazer o serviço. O dono da casa de carnes que funciona na esquina da Higienópolis com Guararapes, comentando o assunto, disse que talvez tenha de fazer o mesmo. Mostrou um bueiro que existe diante do estabelecimento, informou que reclama há tempos do mau cheiro, sem qualquer atitude efetiva da autoridade.
Curiosamente, diante de outra reclamação, feita devido ao mau cheiro de um bueiro na JK, diante da Casa do Estudante, houve ação rápida: pessoal da Prefeitura foi lá e acabou constatando que o problema decorria da existência de ligação clandestina de esgoto que caia ali. A dúvida é sobre o motivo pelo qual outras reclamações não são atendidas com a mesma presteza. Afinal, se é obrigação do cidadão cuidar para que não se jogue sujeira nos bueiros, a da Prefeitura é de mantê-los limpos e desentupidos.
Mais empregos
Penso que entre as coisas que estão sendo reclamadas, na oportuna campanha que Londrina está desenvolvendo contra a violência, poderiam ser acrescentadas algumas. Entre elas, o reclamo por mais empregos.
A falta de emprego, que cria uma situação dura para quem precisa sustentar-se e à família, não leva uma pessoa ao crime. Não há dúvidas, porém de que cria um desespero que conduz à violência.
Carta publicada ontem no jornal, assinada pelo presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina, Sinézio Scudeler, toca no tema: ele quer mudanças no Código de Posturas do Município que propiciariam a criação de mais empregos. É uma antiga batalha, que envolve o horário do comércio e que tem sido aparentemente esquecida nos últimos tempos. É, porém, oportuna. Existem meios de criar mais postos de trabalho no comércio, na prestação de serviços, entre as pequenas e médias empresas, como lembra Scudeler. O que é preciso é que se abram as mentes e se busquem alternativas para mudar isto. Mais empregos implica em menos violência.
Aids e mercado de trabalho
A Aids tem um impacto devastador no mundo do trabalho porque afeta em primeiro lugar as pessoas que estão na idade mais produtiva, assinala a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Na África, dois países particularmente afetados pela Aids são Zimbabue e Botsuana, onde a quarta parte dos adultos em idade de trabalhar é portadora do vírus HIV. Na Namíbia, Zambia, Suazilândia, praticamente uma quinta parte dos adultos está contaminada, segundo um estudo da Onusaids e da OMS realizado no ano passado.
A pandemia aparece como a primeira causa da desaceleração do crescimento em 10 países da África sub-saariana, segundo um recente estudo do Banco Mundial.
Regiões inteiras estão seriamente afetadas. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também realizou um estudo no âmbito da indústria açucareira na província de Nyanza (Oeste do Quênia), em outros tempos florescente e atualmente deprimida por causa da Aids.
Além disso, aquelas pessoas que contraem a enfermidade enfrentam a discriminação em seus locais de trabalho, chegando inclusive a ser demitidas como consequência da falta de proteção social, em particular no setor informal.
Os que não estão enfermos sofrem também a falta dos que estão ou dos que precisam atender a seus parentes ou a comparecer a enterros.





