Praça Londrina (Estélio Feldman)
Papéis demais
O senhor Flávio veio me contar uma história interessante. Desempregado, ele comprou um desses carrinhos de fazer sanduiche, conseguiu um ponto, foi à Comurb pedir licença para trabalhar. Deram-lhe o alvará.
Passou o tempo, ele percebeu que poderia melhorar as condições se trabalhasse também no período da tarde. Foi à Comurb e ficou sabendo que teria de pedir mais um alvará.
Há alguns dias, descobriu outra coisa interessante: água de côco. Com a chegada do calor, era uma boa vender também o produto. Então veio a fiscalização da Comurb e revelou: precisava de outro alvará. Aliás, o fiscal também descobriu que ele não tinha alvará para vender refrigerante, só sanduiche. Voltou ele à Comurb. Pelo menos, foi liberado do alvará do refrigerante, mas não do relativo à água de côco. Com a agravante: enquanto não sai o alvará, não pode vender o côco.
Fiquei pensando em toda esta burocracia e lembrei da origem do prefeito Antônio Belinati, um jovem simples e lutador que tem feito sua carreira na defesa dos que vivem as dificuldades que ele enfrentou. Sei que isso não é problema para o prefeito, mas seguramente ele não gostará de saber de tanta burocracia para que alguém possa lutar pela sobrevivência. Penso que os responsáveis pelo assunto podem ter mais sensibilidade diante da luta dos que enfrentam hoje tantos problemas para ganhar a vida.
Lâmpadas
O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça marcou um ponto em defesa da população: foi firmado acordo pelo qual deixam de ser produzidas as lâmpadas de 120 volts, voltando a ser fabricadas lâmpadas de 127 volts.
A suspensão da produção das lâmpadas de 127 volts representou um abuso diante do consumidor. Trata-se de produtos que duram mais e gastam menos. Ao que tudo indica, deixaram de ser produzidas precisamente por isso. Era mais interessante para a indústria oferecer um produto que dura menos. As indústrias de lâmpadas foram inclusive multadas em processo aberto por causa desta iniciativa. Um detalhe: lâmpadas de 127 volts gastam 9,1% menos que as de 120; e duram quase o dobro.
Até 31 de dezembro, poderão ser ainda comercializadas lâmpadas de 120 volts. Mas depois, voltam as de 127, representando economia dupla para o consumidor. Nesta época em que o dinheiro anda curto, reduzir gastos seja na aquisição de lâmpadas, seja na conta de luz, representa um fator sem dúvida importante.
Prejuízo da chuva
Uma leitora ligou para contar que as chuvas do fim de semana provocaram verdadeiro alagamento em sua casa. Além de todos os problemas disso decorrentes, ela sofreu um prejuízo adicional: a água entrou no aparelho de TV e o estragou.
O que ela queria saber é se tem algum direito de reclamar contra alguém. É complicado, mesmo. Se um aparelho elétrico estraga por causa de uma sobrecarga de energia, ou devido a um apagão, como aconteceu há alguns meses, é possível acionar a empresa responsável. Mas no caso, aconteceu uma chuva forte. Quem pode ser o responsável?
Não parece que a leitora tenha qualquer condição de acionar a prefeitura ou a empresa de energia. Possivelmente em algum país em que as coisas sejam diferentes, em que exista uma defesa maior do cidadão, isso fosse diferente. Como estamos no Brasil, embora já tenha havido grande avanço no particular, creio (salvo melhor juízo, como dizem os juristas) que a leitora vai ter é de arcar com o prejuízo. E, se puder, para prevenir, ainda mais porque, como disse, já sofreu várias vezes com alagamentos, mudar de casa.
Transplantes simultâneos de fígado
Três pacientes puderam receber simultaneamente três enxertos de fígado, a partir de um fígado único, ato realizado pela equipe do professor Henri Bismuth do Centro Hepático-biliar do hospital Paul Brousse de Villejuif (subúrbio de Paris), informou a administração dos hospitais parisienses (AP-HP). Para o início deste triplo enxerto, foi utilizado o fígado de uma pessoa falecida.
O primeiro paciente enxertado é uma pessoa que sofria de uma doença hereditária do fígado, a neuropatía mailoide, cujo único tratamento conhecido é o implante do órgão.
A doença se caracteriza por problemas de sensibilidade e mobilidade, porque os nervos vão se atrofiando, e de forma geral acomete pessoas com mais de trinta anos de idade.
Não obstante, apesar de toda esta sintomatologia, o fígado de uma pessoa afetada por esta doença pode ser enxertado em outro paciente, sem que o mesmo sofra posteriormente com esses sintomas, o que é conhecido como transplante dominó.
Depois de fazer o transplante, o professor Bismuth e sua equipe decidiram utilizar o fígado do implantado dividindo-o em dois para ser enxertado, por sua vez, em dois outros pacientes a espera de uma doação.
Graças a essa original corrente de gestos cirúrgicos, três pessoas puderam receber os transplantes necessários simultaneamente.





