Praça Londrina


Estélio Feldman




Cavalos pela rua

Dona Maria Aparecida, que mora na Rua Prefeito Hugo Cabral, ligou para contar as aventuras (e desventuras) de cavalos que ela viu passeando pela Avenida Higienópolis, perto da JK, no domingo. Era pela hora do almoço e, até naturalmente, eles estavam fazendo sua refeição no canteiro central da via. Também como nem seria necessário acrescentar, eles representavam um verdadeiro perigo para quem circulava por lá.
Com espírito cívico, a leitora, ao chegar em casa resolveu ligar para alguma autoridade a fim de informar sobre a situação e pedir socorro. E, como também é fácil concluir, não conseguiu sucesso. A Polícia Civil disse que não tinha condições, a Polícia Militar também informou que não era algo de sua jurisdição. Ela bem que tentou contato com alguém da prefeitura mas também não teve sucesso. A última notícia que ela teve sobre os cavalos foi de uma amiga que, pelas 4 da tarde, informou que os havia encontrado lá na altura da Rua Belo Horizonte.
Possivelmente eles tiveram sorte e com toda certeza devem ter chegado a algum lugar mais adequado a eles (pelo rumo que seguiam devem ter chegado ao matagal que a gente chama de vale). Mas a pergunta que dona Maria Aparecida deixou fica no ar: a quem a gente pode recorrer em um caso desse tipo?



Destempero
O trânsito nesta cidade está, realmente, estressando as pessoas. Uma leitora me procurou para contar que estava andando pela Rua Canudos. Estava na beira da calçada porque uma construção tornava impossível circular por ela. Foi então que passou um carro e o motorista, além de buzinar como um louco, ainda a mimoseou com palavrões e ofensas, na passagem (‘sai da rua, velha’, foi uma das coisas que ouviu). Não satisfeito, o motorista ainda fez um aceno do tipo ofensivo com as mãos.
Acontece que na esquina, pouco além, estava o marido da senhora ofendida. Que viu parte da cena. E quando o carro parou porque não podia entrar como um louco na JK, houve o encontro e a discussão. Que só não deu em coisa pior porque o motorista devia estar irritado mas mostrou que só tinha coragem para buzinar e xingar mulheres. Com alguém disposto a tirar satisfação, preferiu ir embora. Foi o mais adequado, mas o que ressalta é este tipo de destempero que parece estar fazendo parte do nosso trânsito e que, não raro, já resultou em situações mais graves. Um pouco só de educação evitaria muitos problemas.

Violência
A gente nem acredita. Mas a notícia é oficial: o Brasil gasta mais de 84 bilhões de reais por ano por causa da violência. O total diz respeito, entre outras coisas, a despesas com hospitalização, médico, remédios, dias perdidos de trabalho. E um dado ainda mais alarmante: a maior parte da violência no País se registra no âmbito doméstico. ‘Lar, doce lar’, aquela frase antiga que inclusive era muito usada em panos de prato, parece uma coisa superada. Pelo visto, o lar é, hoje, um dos locais mais perigosos do mundo.
Não chega a ser novidade. Já se sabia que boa parte dos acidentes acontece nas residências. Agora temos também a violência, a agressão física principalmente, da qual as maiores vítimas são mulheres, crianças, idosos e deficientes. Retrato da covardia!
A Pastoral da Criança da Igreja Católica resolveu enfocar parte deste drama, realizando trabalho de conscientização e alerta. É válido. Precisamos lutar todos para mudar esta situação, a fim de fazer com que a casa volte a ser o óasis para o qual se volta depois da batalha pela vida. Nem que seja por economia.

Clima e recursos hídricos
As mudanças climáticas em curso terão impacto na qualidade e na quantidade de água disponível nos Estados Unidos, segundo estudo publicado em Washington por um centro de pesquisa. ‘‘As recentes inundações e secas nos fazem recordar que o clima e a disponibilidade de água estão profundamente ligados’’, afirmou Eileen Claussen, diretora do Pew Center sobre mudança climática global.
Segundo os autores do estudo, intitulado ‘‘Recursos hídricos e mudança climática mundial’’, esses fenômenos modificam o regime de precipitações pluviais, a evaporação e os cursos de água nos Estados Unidos, o que eventualmente afetará a intensidade, a frequência e os custos causados pelos danos climáticos, assim como os recursos hídricos.
Nas regiões montanhosas, a elevação das temperaturas aumentará a relação chuva/neve, acelerará o degelo da primavera e encurtará o outono, explicam Kenneth Frederick e Peter Gleick.
Ao contrário, nas regiões áridas, os recursos hídricos devem aumentar, enquanto que as temperaturas, mais elevadas, reforçarão a demanda de água.
Segundo os autores do estudo, desde já poderiam ser adotadas medidas para contra-atacar o fenômeno, ao menos em parte, adaptando as infra-estruturas hidráulicas e manejando de modo mais eficaz os sistemas de distribuição de água.

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