Calçadas do Vicente Rijo

Uma leitora, que mora na Avenida Higienópolis, propôs a realização de uma campanha visando ‘dar um jeito’ na calçada que fica diante do Colégio Estadual Vicente Rijo. Conforme ela afirmou – e qualquer um pode constatar – a situação é lamentável. A calçada representa um fator de insegurança para quem passe por lá, estudantes ou pedestres em trânsito.
Na verdade, conforme já se comentou aqui algumas vezes, a má conservação das calçadas constitui um problema sério em quase toda a cidade. Mas como calçadas representam obrigação de quem mora nas casas, a reclamação para que sejam conservadas quase sempre cai no vazio. Ademais, há quem reclame dos estragos feitos por órgãos públicos que abrem buracos e não fecham direito, deixando defeitos que aumentam o perigo.
No caso de próprios públicos, como o citado colégio, a questão é mais complicada porque se eles não tem verba sequer para atender às suas necessidades é difícil acreditar que vão gastar dinheiro com uma coisa aparentemente tão banal quanto consertar a calçada. Só que, como a leitora destacou, o problema existe e alguém deve dar-lhe solução. Talvez, se o Estado não cuida, fosse interessante mobilizar a Associação de Pais e Mestres. Claro, eles tem muitos problemas para resolver, mas quem passa por lá percebe que reformar a calçada deveria constituir, hoje, uma prioridade, em nome da segurança dos alunos e dos passantes.



Concorrência
A denúncia, publicada há dias neste caderno, da dona de um estacionamento que afirma estar sendo pressionada a cobrar mais dos clientes, traz de novo à baila o assunto da concorrência. Está havendo, pelo menos de modo geral, um esforço no Brasil para mudar hábitos, introduzindo coisas que são comuns em países de economia estável. Entre elas, a concorrência.
Fazer do preço um meio para conquistar clientes é uma das modalidades de luta nesta coisa chamada concorrência. Por outro lado, juntar os que oferecem o mesmo serviço para estabelecer preços mais elevados é exatamente o contrário. E a gente não pode esquecer que há leis contra o que se chama de formação de cartéis.
A luta da dona do estacionamento para manter preços mais baixos é importante para ela, para o usuário e para a própria economia. Estamos em um novo tempo, a estabilidade da moeda exige mudança de comportamento: gastar menos para estacionar é um modo eficaz de valorizar o dinheiro. Logo, manter preço baixo não é só de interesse da dona do estacionamento, mas de todos.

Doação de órgãos
Esta Campanha Nacional de Doação de Órgãos suscita uma série de considerações. Entre elas, a feita por um leitor que lembrou que, de modo geral, para ser doadora a pessoa precisa morrer. Claro, a evolução médica permite doações mesmo em vida, como em relação aos rins. Tenho um bom amigo, o José Pedro de Lima, que doou um de seus rins para a própria irmã, gesto feito com simplicidade e que serviu para melhorar, pelo menos por algum tempo, a qualidade de vida dela. E há muitas outras coisas envolvidas nesta questão. A Campanha Nacional visa esclarecer mais a respeito.
Hoje, a programação da Campanha, em Londrina, vai acontecer na Santa Casa. A psicóloga Ana Elisa Salomão Bosquê, coordenadora do setor de psicologia da Santa Casa, vai falar sobre os ‘Aspectos psicológicos e emocionais da doação’. Em destaque, um dos principais problemas numa doação de órgãos: a dificuldade de a família compreender e aceitar a morte clínica do paciente.
A palestra da psicóloga Ana Elisa será realizada no auditório da Santa Casa e é aberta a todos os interessados.

Ainda o transplante de ovários
A propósito da notícia divulgada ontem sobre os transplantes de ovários, o médico britânico que conseguiu pela primeira vez realizar com sucesso uma cirurgia deste tipo, Roger Gosden, assinalou que tal procedimento será destinado em primeiro lugar às mulheres que sofrem de câncer, e não às que pretendem atrasar a menopausa. O profissional reiterou que a idéia inicial era ajudar as mulheres que correm o risco de ficar estéreis devido a um tratamento contra o câncer.
Gosden, que pesquisou o transplante de ovários para a Universidade McGill de Montreal (Canadá), e Kutluk Oktay, um médico nova-iorquino que aperfeiçoou a técnica, afirmaram que nem sequer sabiam que a intervenção ajudava a atrasar a menopausa.
A nova técnica, apresentada oficialmente na segunda-feira ante um congresso de médicos canadenses e americanos, provocou grande polêmica semana passada quando um informe deu a entender que o tratamento ajudava a atrasar a menopausa e podia permitir às mulheres procriar em idades muito avançadas.
Kutluk Oktay, que trabalha no Hospital Metodista de Nova York e na Universidade Cornell, afirmou que depois dos 35 anos, a mulher não tem óvulos em número suficiente para que haja uma possibilidade razoável de ter êxito.

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